Homem que atropelou 7 pode responder por homicídio doloso

Motorista invadiu calçada de rua em Bangu, no Rio; cinco pessoas morreram, entre elas um bebê de 9 meses

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 19h09

O motorista que matou cinco pessoas no sábado responderá por homicídio doloso (com a intenção de matar), caso o laudo pericial aponte que o carro estava em uma velocidade muito acima dos 60 km/h permitidos na Avenida Santa Cruz, em Bangu, zona oeste. A afirmação é do delegado adjunto da 34ª Delegacia de Polícia, Delmir Gouvêa, que investiga o acidente. "Se o laudo confirmar uma velocidade excessiva, ele aceitou o risco morte ao correr em local habitado e responderá por dolo eventual na Justiça", afirmou o delegado.

 

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A perícia do Instituto de Criminalística de Campo Grande deve ficar pronta em até 30 dias. No dia da tragédia, o motorista, o feirante André Leandro da Silva, de 39 anos, foi liberado pela polícia após pagar uma fiança mesmo após tentar fugir sem socorrer as vítimas. Gouvêa acredita que com os agravantes do motorista não ter prestado socorro, estar sem habilitação e atingir as vítimas na calçada podem elevar a pena até seis anos de prisão. O Detran proibiu o motorista de renovar a carteira e abriu processo administrativo para cassar definitivamente a habilitação dele, que não renovava a carteira há dois anos.

 

Além da menina Emanuele, foram enterradas outras quatro vítimas nesta segunda-feira. O comerciante Carlos Alberto Fortes, de 38 anos, que perdeu o pai Pedro Pontes, de 71 anos, e o filho Pedro Henrique Pontes, de 16, na tragédia passou mal durante o velório e foi levado para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. "A única coisa que a família quer é justiça. Pagar fiança e ir embora depois de matar cinco pessoas é demais", declarou o sócio de Fortes, César Martins, de 47 anos. Pela manhã foi enterrado Adalmir do Amaral, 34 anos, no Cemitério de Campo Grande, na zona oeste. A quinta vítima, Luciene Cavalcanti, de 25 anos, foi sepultada no domingo, no Cemitério do Caju.

 

Impunidade

 

"Não conheço uma pessoa presa neste país por matar em acidente de trânsito", afirmou o presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz. Em 2003, ele perdeu o filho Fabrício Pinto da Costa Diniz, então com 20 anos, em um acidente que matou outras duas amigas dele. Marcelo Henrique Negrão Kijak, de 21 anos, dirigia o veículo, tinha cidadania uruguaia e fugiu do país no mesmo ano quando sua prisão preventiva foi decretada.

 

Diniz criticou o indiciamento do motorista por crime não intencional. "Se a pessoa atropela e é indiciada por homicídio culposo, ela menospreza a Lei. Se é indiciada no doloso, a situação muda", afirmou.

 

Os pais que lutam para condenar os motoristas culpados pela morte dos filhos criticam a lentidão da Justiça. Isabela Batista Moreira luta há dois anos para que o motorista Luiz Fernando Machado da Silva Júnior, de 29, seja julgado. Em novembro de 2007, ele atropelou e matou embriagado a filha dela Juliana Batista Moreira, de 20 anos, e outro jovem no Méier, na zona norte do Rio.

 

Ele foi indiciado por homicídio doloso, mas a acusação caiu para culposo na Justiça. "Minha vida desabou quando a acusação caiu dolo eventual para homicídio culposo, mas vou continuar lutando. Sinto que minha vida não andará até este cara ser julgado. Quero virar esta página", afirmou Isabela.

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