Homem que mantinha mulher refém atira em si mesmo

Refém foi libertada e tirada do local em uma ambulância, acompanhada por sua família

Rejane Lima, da Agência Estado,

01 Agosto 2008 | 18h03

De férias no Guarujá, na Baixada Santista, a auxiliar de enfermagem Lilian Souza de Oliveira Crochi, de 29 anos, foi mantida como refém durante mais de três horas na tarde desta sexta-feira, 1º, na praia da Enseada, no Guarujá. Depois de negociar com policiais militares da Força Tática, o bandido, identificado como Jonathan atirou contra a própria cabeça no momento em que a equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), vinda de São Paulo, se aproximou do local da ação.   Moradora de Santo André, a turista estava brincando de castelo de areia com o filho de 9 anos quando foi surpreendida pelo bandido. Momentos antes, Jonathan havia sido abordado por policiais da equipe de bicicleta que faziam o patrulhamento de rotina na orla e perceberam que ele consumia maconha.   "Eu falei para o meu filho, corre para o quiosque", disse a auxiliar, no início da noite, antes de prestar depoimento na Delegacia Sede de Guarujá. Durante as 3h15 em que foi mantida como refém, ela disse ter conversado bastante com o seqüestrador. "Ele disse que tinha 19 anos, que já tinha passagem e era batizado pelo PCC. Falou que não era daqui e que tinha vindo fazer 'umas fitas'".   Segundo Lilian, no primeiro momento o jovem disse que a mataria, mas depois falou que não faria nada contra ela e que preferia se matar a se entregar à polícia. "Eu orei o tempo todo, Deus me deu tranqüilidade. Disse para ele que era evangélica e que não queria que ninguém saísse morto".   Lilian trabalha no hospital São Luis, na capital, mas estava de férias. Ela chegou ao Guarujá quarta-feira à noite e pretendia ficar até domingo. Hospedada no apartamento de uma tia junto com o marido e o filho, ela disse que já havia viajado para a cidade várias vezes.   Os pais da auxiliar, Romilda e Valter, foram avisados do seqüestro pelo genro e seguiram para o Guarujá para acompanhar as negociações. Moradores de Mauá, eles fizeram o trajeto em 40 minutos. "Eu sabia que ela estava calma, esse é o jeito dela, mas eu nunca passei tanto nervoso, disse Romilda.   De acordo com o Major PM Hamilton Marques Pinto, subcomandante do 21º. Batalhão da PM, o celular da vítima foi usado nas negociações. Durante as conversas, Jonathan chegou a pedir uma lancha e um veículo Golf com o tanque cheio para fugir. Ele estava com maconha, um revólver calibre 21 e munição extra e durante o período do seqüestro efetuou três disparos na tentativa de afastar os policiais. Cerca de 50 homens da PM participaram da ação. Três quadras da Avenida Miguel Estefno (da orla da praia) foram interditadas, pois o seqüestrador caminhava pela beira do mar a maior parte do tempo.   O major destacou que a estratégia da PM paulista é negociar sempre e que nenhum tiro foi disparado pelos policiais durante toda a ação. "O Instituto de Criminalística vai fazer exame de balística, de local do crime e todos os exames que o delegado de plantão pedirá. A própria perfuração na cabeça vai indicar qual o calibre da arma", argumentou contra as especulações de que os disparos teriam sido efetuados pelo GATE.   Texto alterado às 21h23 para acréscimo de informações.

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