Homens de classe média são vítimas preferidas de assaltantes

Mais visados são brancos ou orientais com menos de 40 anos nas regiões noroeste e sudeste, revela pesquisa

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo,

23 de maio de 2009 | 23h47

Os mais vulneráveis a roubos na cidade de São Paulo são homens, com menos de 40 anos, de classe média alta, brancos ou de origem oriental, que vivem em apartamentos, trabalham ou estudam, moram na região noroeste ou sudeste da cidade, frequentam bares e casas noturnas. Essa preferência dos ladrões faz ainda um descendente de japoneses, com idade entre 20 e 39 anos e renda de 10 a 20 salários mínimos, ter 50 vezes mais chances de ser de assaltado do que uma mulher negra, evangélica e moradora de um conjunto habitacional.

Os resultados são da pesquisa de vitimização feita pelo Centro de Políticas Públicas do Insper (ex-Ibmec-SP) e pela Ipsos Public Affairs. Foram entrevistadas 5 mil pessoas em 2003 e 2.967 em 2008 para que contassem os crimes dos quais foram vítimas no ano anterior à pesquisa. Instrumento importante para nortear políticas de segurança pública, é a primeira vez que uma pesquisa de vitimização cobre dois períodos distintos no Estado.

Entre os principais resultados, a pesquisa registrou uma melhora nas condições da segurança pública na capital paulista, apesar de os números continuarem alarmantes. Enquanto 11,9% dos entrevistados em 2003 tinham sido vítimas de algum tipo de roubo (a automóvel, residência, na rua ou em casa de temporada) no ano anterior, o porcentual caiu para 9,4% em 2008. Também diminuiu o total de pessoas assaltadas com arma de fogo, passando de 4,4%, em 2003, para 3% em 2008. Apesar da queda, um em cada quatro domicílios em São Paulo tem alguém que já foi vítima de assalto.

A variação no nível de renda é o fator mais importante para determinar os alvos preferenciais dos ladrões. Os resultados das entrevistas de 2008 mostraram que a probabilidade de pessoas com renda entre 10 a 20 salários serem assaltadas é de 28,6%. As chances despencam para 4,6% entre aqueles que recebem menos de 1 salário mínimo.

Os moradores de favelas, por esse motivo, fazem parte do grupo com menos risco - embora sejam vítimas mais contumazes de homicídios em São Paulo. No entanto, morar perto de favela não aumenta o risco de ser assaltado na capital.

Engana-se quem pensa que quanto mais rico, maior a vulnerabilidade. Pessoas que recebem de 20 a 30 salários mínimos têm 23,5% de risco de serem roubadas, probabilidade que cai para 20,8% para quem recebe acima de 30 salários mínimos. "Quando a renda ultrapassa certo nível, o indivíduo tem condições de pagar por algumas modalidades de segurança que diminuem sua vulnerabilidade", explica Naércio Aquino Menezes, professor e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

O empresário Massami Kobo Júnior, neto de japoneses, tem uma empresa de blindagem de carros que tem 80% dos clientes japoneses ou descendentes, principalmente empresários de grandes multinacionais que são transferidos do Japão para São Paulo. No pacote para executivos virem trabalhar no Brasil, o carro blindado virou item obrigatório.

Na opinião de Kobo, a evidência dos dekasseguis, que voltavam ao Brasil depois de poupar dinheiro no Japão, e o estilo de vida de integrantes de outras colônias orientais, como a dos chineses e dos coreanos (ligados ao comércio), são alguns dos motivos que ajudam a transformar a colônia em alvo preferencial. "Mas os hábitos caseiros e a discrição, por outro lado, ajudam a diminuir os riscos."

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