Christian Hartman/Reuters
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Homens têm maior avanço na esperança de vida; mulheres vivem mais

Ao nascer, brasileiro tem expectativa de viver, em média, 75 anos, 5 meses e 26 dias - um aumento de 3 meses e 14 dias em relação a 2014

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2016 | 11h07

RIO - A esperança de vida ao nascer no Brasil alcançou 75 anos, 5 meses e 26 dias em 2015, aumento de 3 meses e 14 dias em relação ao ano anterior, segundo os dados das Tábuas Completas de Mortalidade divulgados nesta quinta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os homens conseguiram aumentar mais a expectativa de vida do que as mulheres, mas ainda vivem sete anos menos do que elas. Para a população masculina, o aumento foi de 3 meses e 22 dias: de 71,6 anos em 2014 para 71,9 anos em 2015. Já para as mulheres, o ganho foi de 3 meses e 4 dias: de 78,8 anos para 79,1 anos. O resultado equivale a uma diferença de 18 dias entre os gêneros.

“O cálculo tem como base um modelo de projeção, então ano a ano a expectativa de vida vai subindo. Se acontecer algo no caminho, só saberemos no Censo de 2020. Até lá a tendência é crescente”, explicou Fernando Albuquerque, gerente do Projeto Componentes da Dinâmica Demográfica, na Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Com a melhora, o Brasil avançou no ranking internacional de esperança de vida ao nascer, subindo da 72.ª colocação em 2010 para a 62.ª posição em 2015. O levantamento, divulgado a cada cinco anos pela Organização das Nações Unidas, inclui dados de 181 países.

O País também melhorou sua posição no ranking internacional de mortalidade infantil no período, saindo do 84.º para 80.º lugar. A taxa de mortalidade infantil (até que a criança complete um ano de idade) passou de 14,4 bebês a cada mil nascidos vivos em 2014 para 13,8 bebês em 2015. Apesar da melhora, o Brasil ainda está atrás de países vizinhos, como Uruguai, Argentina e até Venezuela, onde a taxa de mortalidade é de 12,96 óbitos a cada mil nascidos vivos. “No Japão, a mortalidade infantil é de 2 a cada mil nascidos”, lembrou Albuquerque.

A taxa de mortalidade na infância (crianças até 5 anos de idade) também caiu. Passou de 16,7 por mil em 2014 para 16,1 a cada mil em 2015. “A maioria das mortes ocorre no primeiro ano de vida. São causadas por doenças infecciosas, respiratórias, parasitárias, além de problemas genéticos, na gestação ou parto. Mas já melhorou muito nos últimos anos”, avaliou o gerente.

O IBGE informou ainda que, de 1940 a 2015, a esperança de vida ao nascer para ambos os sexos passou de 45,5 anos para 75,5 anos, um aumento de 30 anos. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil caiu de 146,6 óbitos por mil nascidos vivos para 13,8 óbitos por mil, uma redução de 90,6%.

Aposentadoria. Esse aumento na expectativa de vida levou a uma redução de até 0,97% na aposentadoria de homens e mulheres. Os cálculos são do atuário especializado em previdência Newton Conde, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). A Previdência usa os dados do IBGE.

Homens e mulheres que entrarem com pedido de aposentadoria, a partir deste mês, terão de trabalhar, em média, dois meses a mais para manter o mesmo benefício a que tinham direito se tivessem se aposentado até o último dia de novembro. 

Segundo Conde, embora haja atualmente uma corrida à aposentadoria de contribuintes que temem a reforma na Previdência, nem sempre é bom negócio antecipar o recebimento do benefício. Se o contribuinte for muito jovem, o fator previdenciário será baixo, assim como o benefício. “Prefiro esperar um pouco e ter o benefício mais substancioso, que me sustente, do que correr para assegurar um benefício agora que não será suficiente para o meu sustento e me obrigará a trabalhar até o fim da vida para complementar a renda”, explicou.

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