Homicídio entre jovens aumentou 64,2% entre 1994 e 2004

Entre 1994 e 2004, o número de homicídios entre os jovens brasileiros registrou um aumento de 64,2%. É o que aponta um relatório preparado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI). O alto índice mostra também que, apesar de ter empreendido uma campanha a favor do desarmamento durante o período, o Brasil ainda ocupa o primeiro lugar em mortes por arma de fogo entre jovens.Apesar disso, o estudo mostra que, quando considerados apenas os anos de 2003 e 2004, é possível notar uma queda de 5,2% na taxa geral de homicídios. "Foi um número expressivo, sobretudo quando levamos em conta o fato de o índice quebrar uma tendência de crescimento, que vinha se acentuando até 2003", conclui Julio Jacobo Waiselfisz, autor do trabalho. No entanto, ele adverte que tal redução dificilmente será mantida, caso não sejam adotadas políticas semelhantes à Campanha do Desarmamento.De acordo com o relatório, para cada 100 mil jovens brasileiros 43,1 morreram em decorrência de acidentes causados por armas de fogo. Esse índice chega a ser 100 vezes superior ao de países como a Áustria e o Japão.O estudo da OEI aponta também para o aumento de mortes em acidentes de trânsito. Nesse caso, quando analisado aquele mesmo período, o maior índice de crescimento resgistra-se novamente entre os jovens.Por fim, o relatório alerta para outro fenômeno que tem sido observado nos últimos anos, no Brasil: a interiorização da violência. Segundo Waiselfisz, tal fato pode ser atribuído à criação de pólos econômicos no interior e aos maiores investimentos feitos nas regiões metropolitanas, na área de segurança.Embora sejam chocantes, os números brasileiros podem ser maiores. Afinal, há indícios de que exista um grande número de cemitérios clandestinos espalhados pelo País, além das mortes não registradas oficialmente.

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