Horário eleitoral'pior do que tá não fica'

Tiririca zomba da própria política; diz na TV que ignora funções de deputado, cargo que disputa

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

No horário eleitoral, ele pergunta: "O que é que faz um deputado federal?" E responde: "Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto."

O tom torna difícil levar a sério a candidatura do humorista Tiririca - e essa parece ser sua intenção. O slogan Tiririca - pior do que tá, não fica - soa a zombaria das próprias pretensões políticas. Mas o agora candidato jura que sabe, sim, quais são as atribuições de um deputado federal. "Isso foi só aí, num tom de brincadeira mesmo", afirma Tiririca, que disputa as eleições pelo PR.

O número com o qual irá às urnas (2222) é indicativo da aposta da legenda na candidatura. Os partidos normalmente reservam os números repetidos para concorrentes com maior potencial de atrair votos. O PP, por exemplo, lança Paulo Maluf com o número 1111, enquanto o 1313, do PT, cabe a José Genoino.

Partiu do PR o convite para que Tiririca entrasse na vida política. O humorista conta que, antes de aceitar, consultou a mãe, que autorizou. Sua plataforma? "Quero ajudar os menos favorecidos... Entra aquilo lá daqueles que precisam..."

Tiririca vai manter o tom jocoso da propaganda no horário eleitoral gratuito. "Tá dando certo", explica. E está certo. Após o primeiro programa, ele foi um dos assuntos mais comentados no Twitter.

Na opinião de cientistas políticos, candidaturas de celebridades sem história política são uma tentativa das legendas médias e pequenas de aumentar suas bancadas no Legislativo. "Apelam para manter uma fatia do eleitorado", diz Maria do Socorro Souza Braga, da USP.

Marco Antônio Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), vê "despolitização" nesse tipo de campanha. "O fato de ele (Tiririca) não ter trajetória política não o impede de se candidatar, mas espera-se que ao menos diga a que veio", afirma. "Ao fazer piada disso, a candidatura é despolitizada."

Fábio Wanderlei Reis, da UFMG, não vê novidade na candidatura de celebridades. Lamenta, contudo, o tom jocoso adotado por Tiririca: "É lamentável que tenhamos pessoas com perfil como esse com perspectiva de êxito."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.