Hospitais de Criciúma atendem 500 vítimas do Catarina

Criciúma, município catarinense de 180 mil habitantes, a 200 quilômetros de Florianópolis e a 300 km de Porto Alegre (RS), foi um dos mais atingidos pelo ciclone subtropical (anteriormente denominado ciclone extratropical e furacão classe 1). Mais de 500 pessoas foram atendidas em dois hospitais e três pronto-socorros da cidade, em razão do fenômeno meteorológico disse hoje o prefeito Décio Góes (PT-SC).Dos pacientes, cinco estão internados em estado grave. E grande parte dos atendimentos ficam por conta de ocorrências ligadas ao ciclone, que foi denominado Catarina, não diretamente causadas pelo evento climático. Ocorreram ataques cardíacos antecipados pela angústia causada pela situação, acidentes de automóveis e motos, pelo nervosismo sobre o que poderia ocorrer, e antecipação de partos.O prefeito de Criciúma decretou, hoje de manhã, estado de emergência, alegando que o caso não é calamidade pública devido às medidas preventivas adotadas na cidade. Lojas e pontos do comércio, por exemplo, colocaram proteção de madeira diante das portas e mecanismos que não deixassem a água entrar.A limpeza das ruas, já iniciada, tem término previsto para amanhã, antes das 12h. A prefeitura recomendou à população que limpe bocas-de-lobo, bueiros e ralos, para evitar enchentes em caso de ocorrência de chuvas mais fortes.O prefeito informou que a fase mais intensa do incidente ocorreu das 3h da madrugada às 6h da manhã de hoje, deixando 200 casas destelhadas e 100 completamente destruídas. Cerca de 100 pessoas estão abrigadas no Ginásio Municipal de Esportes, e outras buscaram abrigo em casas de parentes.A prefeitura faz o levantamento do prejuízo também nos 300 prédios públicos, entre os quais o do Teatro Municipal, que teve vidros quebrados e o hall danificado. Hospitais, fórum e ginásio de esportes (este teve vidros quebrados, mas serve de abrigo), foram os prédios mais prejudicados, segundo o prefeito.O sistema de abastecimento de energia elétrica deverá ser normalizado durante a tarde, e até lá a população deverá preservar seus reservatórios de água, já que 30 mil pessoas dependem de bombas acionadas por eletricidade para puxar a água da rede pública. Segundo o prefeito não há problema com abastecimento de água, de saneamento básico nem com a telefonia, inclusive a fixa. Ciclone ou furacão?O fenômeno "Catarina", deverá ser explicado e definido ao longo desta semana. A ocorrência climática, inicialmente denominada como ciclone extratropical, depois como furacão classe 1 e agora como ciclone subtropical, está causando confusão justamente por seu ineditismo no Brasil e na América do Sul.O Major Oliveira, do 1º Batalhão de Bombeiros de Florianópolis (SP), responsável pela região atingida pelo fenômeno, disse que o evento subtropical se diferencia do extratropical e do furacão, devido à força dos ventos, menor do que a de um furacão, e à variação da temperatura do ar, se mais ou menos aquecido.Essas características, em um primeiro momento, fazem com que a denominação mais recente do fenômeno "Catarina", indique um ciclone subtropical. "A área atingida e o impacto causado são menores do que os estragos causados por um furacão", assinalou o Major Oliveira. Durante o evento, as ondas se elevaram a quatro metros acima do nível do mar, enquanto o normal é de um a um metro e meio de altura.Leia maisFalta energia em municípios de Santa CatarinaTorres teve 400 casas destelhadas e 150 desabrigadosFenômeno climático teve dois picos, diz Climer/EpagreFenômeno ainda gera dúvidasCiclone mata 1 e deixa mais de 100 desabrigados no Sul

Agencia Estado,

28 de março de 2004 | 15h40

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