Hospitais de SP se preparam para os cortes

Grandes hospitais, tanto públicos quanto privados, já têm um sistema de geradores que atuam em casos de falta de energia elétrica e acreditam que o modelo adotado nesses casos será suficiente para atender a população durante os cortes para racionamento de energia. Dezesseis geradores atendem a demanda por energia no complexo do Hospital das Clínicas (HC), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, um dos maiores da América Latina. Eles suprem 60% da necessidade de todos os institutos que formam o HC, inclusive áreas não-prioritárias, segundo Túlio Wertzner, diretor do Departamento de Construções e Conservação do hospital.Uma boa parte dos corredores estão ligados aos geradores, e apenas a área administrativa não é atendida nas situações de emergência. ?Acreditamos que o sistema que temos atualmente dará conta do atendimento, pois em outras situações o hospital funcionou em plena carga?, apontou. Mesmo se tivesse problema para receber diesel, os tanques conseguem abastecer os institutos, pois estocam 8 mil litros. ?Vamos apenas reforçar o nível de manutenção nos grupos geradores porque vai ter maior periodicidade de uso?, explicou. O HC tem, há mais de sete anos, um programa de racionalização do uso de energia, que entre outras medidas, permitiu a troca da caldeira elétrica por um de gás combustível que reduziu em 50% o consumo. Também trocou lâmpadas fluorescentes de 40 watts pelas de 32 watts, economizando 20% no consumo, que é de 5 megawatts por hora por mês. O maior prédio do HC, o Instituto Central, tem geradores com 72 horas de autonomia. Já o Instituto do Coração (Incor), um centro de referência no País que também integra o complexo, possui dois geradores que dão autonomia de 60 a 63 horas. Além disso, conta com um sistema nobreak para atender apenas os centros cirúrgicos, UTIs e centros de recuperação intensiva. ?Estamos aguardando o que o governo vai anunciar, mas estamos preparados para os cortes?, disse Márcio Pupo, engenheiro do Incor. Ele acredita que algumas áreas deverão sofrer cortes dentro do hospital, caso do sistema de ar-condicionado e da parte administrativa. Há também um plano, anterior à crise, para contenção de consumo de energia elétrica, como manutenção e limpeza mais freqüentes do sistema de ar-condicionado, substituição de lâmpadas por outras de menor consumo e desligamento de iluminação durante o dia em áreas onde isso é possível. HeliópolisO mesmo acontece no Hospital Heliópolis, um dos maiores da rede pública estadual na Capital. As luminárias de áreas comuns ficam apagadas das 7 horas às 17 horas. A medida foi adotada desde o dia 21 do mês passado. Empresas instaladas no hospital, como lanchonete e de limpeza, deverão ter um gerador próprio para não usar a energia do gerador do hospital, segundo a assessoria de imprensa do Heliópolis. A energia economizada com essas medidas será destinada para as áreas prioritárias, principalmente os serviços de emergência. O hospital também conta com geradores.No Hospital do Servidor Público Estadual, oito geradores movidos a diesel trabalham quando falta energia elétrica. O hospital é dividido em três áreas: críticas, semicríticas e não-críticas. Os geradores disponíveis alimentariam de maneira suficiente as duas primeiras áreas. Os técnicos também aguardam as medidas do governo federal para verificar se há necessidade de mudar o funcionamento do esquema. No Hospital Albert Einstein, particular, o plano para contingência já existente será revisado após a divulgação das medidas do governo. Segundo Antônio Carlos Cascão, gerente executivo de obras e manutenção do hospital, os geradores atendem 40% da necessidade do hospital e 30% da iluminação. ?Perderemos uma parte do conforto para os pacientes, como televisão, e também de diagnóstico, já que nem todos os aparelhos ficarão ligados?, explicou.Dos três tomógrafos do Einstein, por exemplo, apenas um funciona em caso de falta de energia elétrica. O hospital irá promover, a partir da semana que vem, simulações de cortes para verificar se as medidas existentes atendem às necessidades do Einstein. Uma campanha pública para racionalização de energia também será lançada no dia 25 deste mês. O Hospital Sírio Libanês, também particular, tem dois geradores usados em emergência, que atendem 30% da demanda do hospital. O consumo mensal de energia do hospital é de 1,3 milhão de quilowatts. No caso de falta de energia elétrica, setores, como o administrativo, serão menos priorizados e luzes de emergência ficarão acesas no hospital. Os técnicos do Sírio Libanês estão concluindo um roteiro para orientar seus funcionários durante o período de corte.

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