Hospitais do Exército atendem 200 na Grande Rio; mortos sobem para 231

Hospitais do Exército atendem 200 na Grande Rio; mortos sobem para 231

No Morro do Bumba, 20% da área do deslizamento foi explorada pelos bombeiros que retiraram 36 corpos dos escombros

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2010 | 19h03

 

RIO - Cerca de 200 pessoas foram atendidas no primeiro dia de funcionamento dos hospitais de campanha montados pelo Exército, nos bairros Jardim Catarina e no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. "A operação não tem prazo determinado para acabar. Os dois hospitais permanecerão em funcionamento enquanto houver vítimas", disse capitão Carlos Backer, da Comunicação Social do Exército.

 

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A maioria dos atendimentos foi de casos relacionados a gripes, doenças de pele e hipertensão arterial. Uma mulher com suspeita de leptospirose foi atendida e tratada pelos militares. Um bebê de 34 dias foi o único caso de remoção para um hospital público. Ele apresentava sinusite e inflamação nos ouvidos.

 

"Minhas duas filhas apresentaram febre e diarreia após o contato com as águas da chuva. Tivemos que sair de casa com água pelo pescoço para ficarmos abrigadas na casa da minha irmã", disse Carla Cajueiro da Silva, de 38 anos. As filhas dela foram atendidas no Hospital de Campanha montado ao lado do Ciep Túlio Rodrigues Perlingeiro, onde estão alojados 500 desabrigados. "Não estamos aceitando mais doações de roupas.

 

A partir de terça-feira, 12, o Exército também organizará a distribuição das doações", disse a voluntária do centro de desabrigados do Complexo do Salgueiro, Valéria Loback. A estrutura montada pelo Exército dispõe de uma enfermaria com 16 leitos climatizados, quatro clínicos gerais, um pediatra, enfermeiros e 60 homens no apoio da operação.

 

No Morro do Bumba, os bombeiros já exploraram 20% da área onde ocorreu o deslizamento. Desde a noite da tragédia, na quarta-feira, 36 mortos foram retirados dos escombros. Uma vítima morreu no hospital após ser resgatada. Nesta segunda-feira, 12, até agora, nenhum corpo foi encontrado. "Perdi muitos amigos. Tenho certeza que muitas pessoas ainda estão soterradas aqui", disse Jaciara de Almeida Ferreira Lopes, de44 anos, ex-moradora da favela construída sobre um lixão.

 

Números

 

Até agora, as chuvas já deixaram um total de 231 mortos - 146 em Niterói, 65 na capital e 16 em São Gonçalo. As cidades de Engenheiro Paulo de Frontin, Magé, Nilópolis e Petrópolis registram um morto cada.

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