Hospitais federais do Rio serão blindados

Cinco dos seis hospitais da rede federal no Rio serão blindados. As unidades estão em regiões consideradas áreas de risco, por causa de constantes tiroteios entre traficantes de facções rivais e confrontos com a polícia. No fim da tarde de quinta-feira, uma bala perdida atingiu o centro cirúrgico do Hospital Geral de Bonsucesso, que está entre os que receberão o reforço. O tiro destruiu um equipamento de leitura de slides de raio X. Ninguém ficou ferido. Os centros médicos terão diferentes proteções contra disparos de arma de fogo - as intervenções preveem a construção de muros de concreto, distantes cerca de um metro dos prédios, instalação de venezianas de aço (brise-soleil, no termo técnico) e até mesmo a blindagem de vidros, em alguns casos. O Ministério da Saúde rechaçou o termo "blindagem", preferindo se referir ao que será feito como "medida de proteção especial contra balas". "Vamos usar todos os mecanismos para evitar qualquer risco para a população e o servidor", afirmou o diretor da Rede Hospitalar Federal no Rio, Oscar Berro. Ele explicou que nem todos os prédios vão precisar de intervenções. "Os edifícios foram construídos de forma que um protege o outro. Nas salas que ficam mais expostas, a intenção é redirecionar serviços para áreas com menos risco. Se isso não for possível, vamos adotar as medidas de proteção." Ele ressaltou que a decisão de reforçar a segurança nos hospitais não foi motivada pela bala perdida que atingiu o centro cirúrgico do HGB. A medida já havia sido acertada há cinco meses, quando foi lançado o projeto de reestruturação e qualificação dos hospitais federais no Rio. O programa prevê gastos de R$ 500 milhões em qualificação profissional e modernização de equipamentos. Da verba total, R$ 110 milhões serão destinados a intervenções arquitetônicas, o que inclui a blindagem. O projeto será concluído em dois anos. Receberão a blindagem os hospitais de Ipanema, na zona sul, vizinho da Favela Pavão-Pavãozinho; dos Servidores, no centro, próximo do Morro da Providência; do Andaraí, na zona norte, perto da Favela do Cruz e do Morro do Andaraí; o HGB, no subúrbio, cercado pelos Complexos de Manguinhos e da Maré; e o Cardoso Fontes, na zona oeste, perto do Morro São José Operário. A única instituição federal que não passará pela reforma é o Hospital da Lagoa, na zona sul. "Historicamente são lugares em que o crescimento urbano desordenado e proliferação de estruturas habitacionais precárias levaram a um aumento da violência e da insegurança. O que estamos fazendo é uma readequação para que as pessoas não fiquem expostas", afirmou Berro.

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

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