Hospital Albert Einstein recebe 13 feridos e fica cercado

Mais 11 policiais civis foram levados para outros hospitais; ao São Luiz, chegaram alguns com escoriações na face, ferimentos nos braços e pernas e queimaduras de 1.º e 2.º graus

O Estadao de S.Paulo

17 Outubro 2008 | 00h00

As vítimas do conflito entre as Polícias Civil e Militar, ocorrido na frente do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na zona sul de São Paulo, começaram a chegar aos hospitais da região no meio da tarde. Até as 23 horas, eram 24 feridos. O Hospital Albert Einstein recebeu 13 pacientes, entre eles um dos negociadores da greve: o coronel da PM Danilo Antão Fernandes (ferido por um tiro de bala de borracha, segundo o Einstein). Os outros policiais levados ao Einstein são Flávio Roderley Antonio, Vicente Pereira Lima, Ronald Pulga, Rerolde Alexandre Soares Rodrigues, Maurício Medeiros da Silva, Débora Albuquerque da Santo, Reinaldo de Freitas, Fernanda Akemi Yokoyama, José Augusto Merencio, Aluisio Sabadin de Moura, Ana Claudia Ferreira da Silva e José de Sousa. Até o fechamento desta edição, cinco deles já haviam sido liberados. Cinco policiais civis também foram levados para o Hospital São Luiz. João Henrique Martins Alves, de 34 anos, sofreu escoriações na face; Ismael Lopes de Oliveira, de 49, teve ferimentos superficiais na coxa e no braço esquerdos; Jeremias Francisco Torres, de 44, sofreu queimaduras de 1º e 2º graus, na mão direita e na face; Domingos Rios Santana, de 43, sofreu queimaduras de 3º grau na região abdominal; e Felipe Wanderlei Mariano, de 30 anos, teve fratura exposta no segundo dedo da mão direita e escoriações na mão esquerda. Ele foi examinado e transferido para o Hospital São Leopoldo, para reavaliação. O Pronto-Socorro do Hospital Itacolomy, no Butantã, zona oeste, recebeu cinco policiais. De acordo com a Assessoria de Imprensa do hospital, os feridos foram medicados e liberados em seguida. No Hospital Universitário, da USP, um policial baleado na perna foi atendido e não corria risco de vida. Mesmo após o conflito, o clima continuava tenso entre os policiais no Einstein. Numa clara demonstração de animosidade, cada um dos grupos se postou de um lado da rua, na frente do hospital. À esquerda da entrada do Pronto-Atendimento, policiais militares trocaram ofensas e provocações com os policiais grevistas, que estavam do outro lado da rua. Os funcionários do hospital ficaram isolados. Ninguém podia entrar ou sair. Os familiares de pacientes internados no local também se assustaram com o clima de confronto. Leda Esper Nader se surpreendeu ao levar o pai, de 83 anos, com um acidente vascular cerebral (AVC), para a emergência do hospital. Ao lado de seu pai, era atendido o coronel Antão, responsável pela negociação com os policiais grevistas, antes do confronto. Ferido por um tiro disparado a curta distância, o coronel da PM era amparado por outro policial. Leda afirma que a tensão podia ser sentida nas declarações dos militares. Segundo ela, o acompanhante do coronel dizia que "as duas polícias estavam em guerra, sem data para terminar". Às 19h30, um grupo de 25 funcionários não conseguia deixar o estacionamento do Einstein. Revoltados, eles esperavam ali desde as 16 horas. A médica Luíza Vicenzio foi uma das funcionárias que tiveram de ser escoltadas até o estacionamento. "Estou esperando para ir embora, mas tenho medo de cruzar o meio da multidão." Luíza ficou isolada no local, no momento em que policiais iniciaram uma nova confusão, por volta das 19h30. Só no fim da noite os ânimos puderam ser controlados. BRUNA FASANO, EMILIO SANT?ANNA E JOSMAR JOZINO

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