Hospital ''bancado'' pela lei seca é aberto

Em um ano, Estado poupou R$ 17 milhões em atendimento a vítimas

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

O governo de São Paulo inaugurou ontem uma clínica de reabilitação de deficientes físicos e, dos R$ 50 milhões investidos na unidade, 34% vieram da verba poupada no primeiro ano de vigência da lei seca. Segundo os números oficiais, a redução de atendimentos de vítimas de acidentes de trânsito após a medida que endureceu as penas contra motoristas embriagados gerou economia de R$ 17 milhões, dinheiro agora revertido na criação do serviço de fisioterapia e tratamento de portadores de deficiência. A clínica fica na Rua Jandiatuba, 580, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, entre junho de 2008 - mês em que entrou em vigor a lei que prevê até detenção para quem mistura álcool e direção - e junho de 2009, houve redução de 18,9% no número de vítimas do trânsito atendidas em 30 hospitais da capital e da Grande São Paulo. O balanço é referente aos casos mais simples, de quem precisou de raio X, curativos ou atendimento superficial.

Com esse perfil de atendimento, garante o governo estadual, foram em média 1.440 pacientes a menos registrados por mês, no primeiro ano da lei seca. Os recursos não utilizados nessa parcela foram revertidos para o novo hospital, batizado de Lucy Montoro. Segundo a Secretaria de Estado de Direitos da Pessoa com Deficiência, a unidade tem 80 apartamentos e 20 consultórios com capacidade para 12 mil atendimentos/mês. A pasta afirma que serão acolhidas vítimas de lesões medulares, amputações, traumatismo craniano, acidente cardiovascular, paralisia cerebral e restrições de mobilidade.

A área da reabilitação física é um dos principais gargalos da saúde pública e, hoje, o trânsito, mais do que as armas de fogo, é considerado o principal responsável pelos casos de paraplegia e tetraplegia em São Paulo, segundo balanço da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), unidade até então solitária na oferta de serviços públicos de excelência na área de reabilitação, com 30 mil pacientes na fila de espera.

O novo hospital tem equipamentos e estrutura de ponta, com verba de manutenção de R$ 5 milhões mensais, dinheiro que não sairá do "caixa da lei seca" e, sim, do orçamento das Secretarias de Saúde e Pessoa com Deficiência.

O secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas, garante que a prioridade de aplicação da verba economizada em atendimento a vítimas de trânsito será a implementação de hospitais para reabilitar deficientes.

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