Hospital público do Rio é esvaziado por ameaça de bomba

Cerca de uma hora depois de o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, ter anunciado o reforço do policiamento em hospitais públicos do Estado e medidas para acelerar a investigação de fraudes nas unidades federais de saúde, o Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no centro, foi parcialmente evacuado, no início da tarde desta sexta-feira, por causa de uma ameaça de bomba.O clima de insegurança no Into começou há pouco mais de duas semanas, quando a sala do diretor Sérgio Côrtes, que está revisando contratos de serviços e compras suspeitos, foi invadida e ele foi ameaçado de morte.Segundo a assessoria de imprensa do Into, um homem ligou para o telefone geral do hospital às 12h50, pediu para transferir a ligação para o setor de esterilização e avisou à enfermeira-chefe que o prédio deveria ser desocupado, pois havia uma bomba no local. O Esquadrão Antibombas foi até o local, mas nenhum artefato foi encontrado.A ameaça ocorreu poucas horas antes do início do depoimento de Sérgio Côrtes e de quatro funcionários do Into suspeitos de envolvimento nos contratos de obras e serviços fraudulentos. Até o fechamento desta edição, o juiz Flávio Oliveira Lucas, da 4ª Vara Federal Criminal, ainda não havia terminado de ouvir o presidente da Fundação Pró-Into, Joaquim Pires e Albuquerque Pizzolante, o ex-diretor do Into Paulo César Rondinelli e os funcionários Sérgio Albino de Souza Castelo e Luiz Carlos da Rocha.O secretário Anthony Garotinho afirmou, pela manhã, que as fraudes em hospitais federais e as ameaças recebidas recentemente por profissionais de saúde serão tratadas como ações do crime organizado. Depois de se reunir com a direção do Sindicato dos Médicos e representantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), Garotinho anunciou um plano para reforçar a segurança nos hospitais públicos fluminenses e acelerar a investigação do esquema de corrupção na administração nas oito unidades federais de saúde no Rio.Nos últimos dez anos, diretores e funcionários foram mortos e, mais recentemente, a diretora do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), Ana Lipke, foi ameaçada, assim como Sérgio Côrtes. ?Vamos apurar os crimes, evitar que outros ocorram e punir aqueles que se sentem livres para praticar irregularidades?, disse, acrescentando que a secretaria vai oferecer segurança para os profissionais de saúde que se sintam ameaçados. ?Qualquer um que se sentir ameaçado, procure a secretaria?.Todos os inquéritos que investigam as fraudes ou mortes e atentados relacionados ao assunto, informou Garotinho, serão concentrados na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). ?Como os crimes estavam acontecendo em períodos e áreas diferentes, fica difícil a investigação ser feita de forma isolada. Então, resolvemos avocar todos os inquéritos para a Draco e tratar esse assunto como crime organizado?, disse o secretário, acrescentando que a delegacia especializada vai receber apoio das polícias federal e militar, ministérios públicos federal e estadual, integrantes do Susp.Os tribunais de contas do Estado e da União também vão participar da investigação porque, segundo Garotinho, muitos dos crimes foram cometidos porque ?interesses econômicos poderosos? dentro das unidades foram contrariados. ?Toda vez que tem um gestor que quer moralizar, esses grupos reagem?, afirmou o secretário, que anunciou ainda a criação de um banco de dados para centralizar as informações sobre os casos.Ele também anunciou o reforço de policiamento em dez hospitais que têm maior incidência de tentativas de resgate de criminosos, mas não divulgou o nome das unidades. Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, mais importante do que garantir escolta policial para profissionais de saúde ameaçados é ?concluir as investigações e acabar com a impunidade?.Segundo ele, há 93 representações nos ministérios públicos estadual e federal relativos aos últimos oito anos e 76 inquéritos em andamento na Polícia Federal. E, disse ele, até agora ninguém foi punido.

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