Hospital São Paulo abre unidade de epilepsia

Aos 7 anos, a dona de casa Teresade Fátima Fornazari Capela teve a primeira crise de epilepsia. Morava em Lavínia, perto de Araçatuba, interior de São Paulo. Osmédicos não deram esperanças à menina quando, pela segunda vez, ficou inconsciente por oito horas.Quatro décadas depois, Teresa recebia com um sorriso o marido e a filha na Unidade dePesquisa e Tratamento das Epilepsias (Unipete), que o HospitalSão Paulo inaugura nesta sexta-feira.A visita podia ser observada pelo monitor, por onde osmédicos fazem o acompanhamento 24 horas por dia de Teresa. "Otempo padrão de internação é de segunda a sexta-feira, mas sepode manter o paciente até o fim de semana", diz oneurologista Pedro Alessandro Leite de Oliveira.Há dois quartoscomo o de Teresa que permitem acompanhamento sincronizado doeletroencefalograma com as reações da paciente."Fazemos ummonitoramento mais complexo, o que permite uma melhorlocalização da lesão no cérebro", explica a neurofisiologistaElza Márcia Yacubian, que divide a chefia da unidade com omédico Américo Sakamoto.Elza diz que 70% dos portadores de epilepsia conseguemcontrolar as crises à base de remédios. Para tratar os demais30%, dos quais Teresa faz parte, é necessário um diagnósticomais preciso."Na hora de uma cirurgia, a localização exata dalesão evita que outras áreas do cérebro, que cuidam da fala ouda coordenação motora, por exemplo, sejam afetadas."As imagens e eletroencefalogramas registrados nostratamentos são gravados em CDs. Além disso, analisam-se célulase tecidos dos pacientes. Isso permitirá compreender melhor aepilepsia e testar novas drogas.O projeto, de US$ 600 mil, foifinanciado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SãoPaulo (Fapesp)."Associar o tratamento com o estudo de tecidos é odiferencial da unidade", afirma a neurologista Margareth RosePriel, da Associação Brasileira de Epilepsia (APE). Nesta sexta-feirae sábado, a entidade promove palestras sobre a doença e a sociabilidade dos portadores.Ao lado do marido, Teresa mostra que aprendeu a lidarcom a doença. As marcas de queimadura no braço direito,conseqüência de um desmaio perto do fogão, são lembranças detempos mais preocupantes."Recebi bom atendimento e informação.Se todos tivessem isso, seria melhor", diz Teresa. Já estãocadastrados na unidade 37 novos pacientes.

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