Hotéis do Rio estimam prejuízo de R$ 10,4 milhões

O setor hoteleiro do Rio de Janeiro estima prejuízo de R$ 10,4 milhões por causa dos cancelamentos de reservas nesses 13 dias de operação-padrão dos controladores de vôo de Brasília que causaram atrasos nos embarques, desembarques e até cancelamentos de vôos nos principais aeroportos do País. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, seção Rio, Angelo Vivacqua, informou que diariamente cerca de 4 mil reservas são suspensas por turistas que temem enfrentar atrasos e tumultos nos aeroportos.Vivacqua calcula que o setor hoteleiro tem perdido R$ 800 mil por dia desde o início da crise. "Em um mês, o prejuízo será de R$ 24 milhões. Diz-se que o hotel representa um quarto da despesa do viajante. Toda a cadeia do turismo perde: o vendedor de souvenir, o restaurante, o motorista de táxi", afirmou.O vice-presidente lembrou que o movimento nos aeroportos é menor aos sábados e domingos e que o chamado "tráfego comercial", formado por pessoas que viajam a trabalho, é mais intenso ao longo da semana. "Só vamos saber se a situação se normalizou hoje, amanhã, depois. Na verdade, nosso prejuízo é incomensurável porque não se pode medir quantas pessoas pensavam em viajar e simplesmente mudaram de idéia".Vivacqua defendeu uma solução rápida para o problema. "Esse é um assunto a ser resolvido exclusivamente pelo governo federal. Não sei se farão isso contratando mais gente, comprando outras máquinas. Não dou palpite no que não entendo. Mas a solução precisa ser rápida".De acordo com o presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Eraldo Alves da Cruz, a ocupação do setor hoteleiro foi prejudicada com quedas que variam de 25% a 50% durante o feriado prolongado de Finados. Os lugares mais afetados foram o Rio de Janeiro e Estados do Nordeste, como Natal, Fortaleza, Bahia e Pernambuco, onde muitos turistas já haviam reservado quartos em hotéis e pousadas. Em Pernambuco, houve uma média de 15% de cancelamentos nas reservas nos hotéis. Além das desistências por falta de expectativa do vôo, Cruz lembrou que houve quem não chegou a ir ao aeroporto. ?Impossível dizer o quanto afeta, são milhões?, ressaltou Cruz. Operação-padrãoOs transtornos nos principais aeroportos do País começaram em 27 de outubro quando os controladores de vôo de Brasília resolveram adotar a operação-padrão. Eles passaram a monitorar 14 aeronaves simultanemente, de acordo com o que prevê a legislação, e não mais 20 como vinham monitorando anteriormente. O afastamento de oito controladores do Centro de Controle de Brasília (Cindacta-1) que trabalhavam no dia 29 de setembro quando ocorreu o acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol sobrecarregou a equipe de Brasília e foi a "gota d?água" para a crise.Depois do caos nos aeroportos em 2 de novembro, feriado de Finados, a Aeronáutica decidiu convocar todos os 149 controladores de Brasília e estabeleceu uma nova escala de trabalho para descongestionar o setor, o que normalizou a situação na volta do feriado.A operação-padrão dos controladores de vôo afetou 43% das decolagens no País nos últimos dias. Segundo a Infraero, de 14.700 vôos que decolaram, 5.145 registraram atrasos significativos. O percentual de cancelamento ficou em 8%, o que representa 1.176 vôos.

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