Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Hotel caro desanima turistas no Rio

Visitantes buscam opções mais baratas; enquanto isso, sobram fantasias nas escolas

Fábio Grellet, de O Estado de S. Paulo,

15 Fevereiro 2012 | 23h33

RIO - A auditora paulistana Denise da Silva Medeiros, de 37 anos, planejava estrear na Sapucaí neste carnaval. Já havia feito contato para comprar uma fantasia da Mangueira, sua escola preferida, quando começou a procurar hotel. “Planejava gastar uns R$ 150 com cada diária, mas só encontrei hotéis pelo dobro do preço”, conta. Resultado: desistiu da viagem e vai passar o carnaval em São Paulo mesmo. “Já ia gastar um dinheirão em fantasia, então o hotel não pode ser tão caro”, diz a auditora, que investiria R$ 800 no traje carnavalesco.

Enquanto o preço dos hotéis aumenta, faltam passistas nas escolas de samba. Das 85 fantasias da ala Nobre da Imperatriz, oferecidas a R$ 550 cada, 15 ainda não haviam sido vendidas, no início da semana passada. “Cada escola tem um ritmo de venda de fantasias, e a Imperatriz costuma concluir (a venda) em cima da hora”, justifica a chefe da ala, Elza Rodrigues, de 71 anos.

Hospedagem. A três dias do início dos desfiles do Grupo Especial do Rio, 91% dos 22 mil quartos disponíveis na rede hoteleira da cidade estavam reservados, segundo o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio). A expectativa é de que até sábado esse índice chegue a 96%, mesma taxa de 2011.

No entanto, pela primeira vez em cinco anos, Copacabana, Ipanema e Leblon não lideram a lista de bairros com os hotéis mais procurados. Nesses bairros, onde as tarifas são maiores, a ocupação atual é de 87,5%, enquanto no Flamengo, em Botafogo, na Glória (zona sul) e em Santa Teresa (região central) a taxa é de 99% e deve atingir 100% até sábado, segundo o SindRio.

“Os viajantes brasileiros estão descobrindo que Flamengo, Botafogo, Santa Teresa e centro oferecem ótima localização, sistema de transporte e conforto, além de, algumas vezes, preços mais acessíveis”, diz Pedro De Lamare, presidente do SindRio.

Mas a diferença de custos também entra na decisão de hospedagem. Para reduzir os gastos, alguns turistas trocaram os eixos turísticos por bairros centrais e outros substituíram hotel por apartamento de temporada.

Moradora de Goiânia, a dentista Ana Márcia Bispo, de 32 anos, primeiro fez uma reserva em um hotel perto do Aeroporto Santos Dumont. Embora o preço da diária não fosse dos mais altos, ela continuou pesquisando e encontrou um imóvel em Copacabana cujo aluguel por cinco dias saiu mais em conta. “O apartamento comporta toda minha turma e sai mais barato. O primeiro critério foi o preço, mas tem outra vantagem, que é a localização”, conta Ana Márcia.

Adaptação. Outra opção de diárias mais em conta são os 180 motéis cariocas, que têm cerca de 6 mil quartos. Diante da procura cada vez maior de turistas, muitos motéis estão mudando a decoração. “Substituímos as camas redondas pelas tradicionais e tiramos o papel de parede”, conta o empresário Antônio Cerqueira, dono de uma rede de motéis na cidade.

“Há cada vez mais turistas procurando lugares não tão caros para se hospedar, e os motéis são uma boa opção também por esse aspecto. Então nos adaptamos”, diz o empresário. Em um dos motéis de Cerqueira, o Shalimar, em São Conrado, na zona sul, a diária para casal varia de R$ 232 a R$ 1.520, conforme o tipo de quarto, e até a última sexta-feira ainda havia quartos disponíveis para o carnaval.

De fora. Os turistas estrangeiros, que já representaram 60% do público que visita o Rio no carnaval, neste ano correspondem a apenas 32%, reflexo da crise econômica que atinge principalmente a Europa.

Sem eles, os hotéis cinco-estrelas perderam clientes. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), em 31 de janeiro as reservas confirmadas para o carnaval em hotéis dessa categoria não passavam de 71%, enquanto as reservas para estabelecimentos de três e quatro-estrelas, preferidos pelos brasileiros, chegavam a 80%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.