Hotel São Paulo será o novo endereço de sem-teto

Faltam poucos acertos para a Prefeitura comprar o Hotel São Paulo, na Praça da Bandeira, no centro, e transformá-lo em um edifício residencial para abrigar moradores de cortiços e de rua. A intenção da Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano é repassar o prédio para a Caixa Econômica Federal, que fará a reforma e o financiamento para os moradores. A ação faz parte do Programa de Locação Social, criado para famílias ou pessoas com renda inferior a três salários mínimos. "Estamos na fase final", diz o secretário Paulo Teixeira. Segundo ele, a compra do hotel, estimado em R$ 3 milhões, sairia do orçamento da Prefeitura e subsidiaria o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) da Caixa. Para a coordenadora do Fórum dos Cortiços, Verônica Kroll, que há três anos acompanha o impasse da compra do hotel, a maior dúvida é sobre o alto custo da reforma - no mínimo R$ 1 milhão. O projeto do arquiteto Manoel Alves Rodrigues inclui 160 apartamentos, uma creche funcionando 24 horas e um posto de saúde. O sofisticado hotel de estilo neoclássico de 18 andares, inaugurado em 1946, alcançou o auge nos anos 50 e 60, quando recebeu o então presidente francês Charles de Gaulle. Aliás, naquela época, era o preferido de políticos e celebridades. O hotel de paredes de mármore italiano travertino marcou a história da hotelaria na cidade ao ser o primeiro a oferecer banheiro em todos os quartos. No fim da década de 70, as obras do metrô provocaram a queda do movimento de hóspedes e o hotel entrou em decadência. Programa - O Programa de Locação Social foi aprovado pelo Fundo Municipal de Habitação (FMH) e começará a ser desenvolvido no centro, região com muitos imóveis desocupados e cortiços. Os moradores serão selecionados mediante análise sócio-econômica e pessoas com mais de 60 anos, moradores de rua ou de áreas de risco terão prioridade. Os aprovados assinarão um contrato de locação de um ano. O valor do aluguel será equivalente a 10% do rendimento mensal. "A transição para a carta de crédito será opcional", disse Teixeira. Em 60 dias, a Prefeitura deverá regulamentar os detalhes da implantação do programa. (Colaborou Márcio Juliboni, Agência Estado)

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