Fred Loureiro/Secom-ES/Divulgação
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Ibama aponta atraso em obras para conter rejeitos da Samarco

De acordo com o instituto, também estão atrasados os recursos para investimentos em saneamento

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

25 Outubro 2016 | 10h08
Atualizado 25 Outubro 2016 | 15h42

BELO HORIZONTE - O cronograma de obras para contenção de rejeitos da barragem da Samarco em Mariana está atrasado e, por conta das chuvas, uma nova onda de lama pode atingir o Rio Doce voltando a causar danos ambientais e prejudicar o abastecimento de água de cerca de 40 municípios da bacia. A lentidão nos projetos consta em balanço divulgado nesta terça-feira, 25, em Belo Horizonte pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

Com as chuvas, e o consequente carreamento de rejeitos, o instituto não descarta a possibilidade de que a lama, ao atingir o Rio Doce, rompa a hidrelétrica de Candonga, que fica no curso d'água, a cerca de 100 quilômetros do local do acidente, e funcionou como um dique no rompimento da barragem da mineradora, tragédia que completa um ano no próximo dia 5. Em outro cenário, o Ibama acredita que a lama poderá passar sobre a hidrelétrica. Em ambos os casos, a lama poderá voltar a atingir o litoral do Espírito Santo, onde está a foz do Rio Doce.

Segundo dados do Ibama, entre o local do acidente em Mariana e a hidrelétrica existem 43,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o equivalente a 17,4 mil piscinas olímpicas. O material está disposto nas barragens da Samarco de Fundão (a que se rompeu em novembro do ano passado) e Santarém, em diques, em área de Bento Rodrigues (o distrito de Mariana destruído na tragédia) e às margens de afluentes e do próprio Rio Doce. Há ainda, conforme o levantamento do Ibama, graves problemas de erosão em toda a área. O estudo acusou ainda atraso no reflorestamento da região atingida.

As obras e a recuperação ambiental estão a cargo da mineradora e do Instituto Renova. Participam também as controladoras da Samarco, Vale e BHP Billiton. As medidas a serem tomadas constam no acordo fechado entre as empresas, a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O termo está sendo contestado na Justiça pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais. Conforme a procuradoria, não houve participação da população atingida na decisão sobre as medidas a serem tomadas. 

Em relação às obras, a presidente do Ibama, Sueli Araújo, afirma que serão suficientes, mas que o atraso, juntamente com o início das chuvas, traz um "desafio" para o momento. "Com a chuva você não sabe o que vai ocorrer entre Fundão (a barragem da Samarco que ruiu) e Candonga. "Reconhecemos o atraso. Não estamos falando que está bem. Falamos que está monitorado", diz Sueli. Há três estruturas de contenção com obras em andamento. O dique S4, o eixo um de Fundão e a barragem de Nova Santarém.

Segundo a presidente do Ibama, há problemas também quanto ao repasse de recursos previstos a municípios para investimentos em saneamento. Cerca de R$ 50 milhões de um total de R$ 500 milhões que já deveriam ter chegado a prefeituras às margens do Rio Doce não foram repassados. A justificativa foi o período eleitoral, segundo Sueli. Em função das chuvas, conforme a presidente do Ibama, existe a possibilidade de aumento da turbidez da água no Rio Doce, prejudicando a captação de água para consumo humano. Conforme a presidente do Ibama, um plano de ação emergencial será implantado para informar a população sobre cuidados a serem tomados em caso de aumento do carreamento de rejeitos para o Rio Doce e afluentes, o que pode aumentar a presença de metais pesados na água.

Em nota a Samarco afirmou que "as obras de reforço de segurança das estruturas remanescentes estão cem por cento concluídas. A construção da barragem de Nova Santarém no Complexo de Germano será finalizada em dezembro deste ano. O dique S4 teve suas obras iniciadas no final de setembro e deve ser concluído em janeiro de 2017. Todas as estruturas planejadas e em construção terão capacidade de reter o rejeito remanescente da barragem de Fundão".

O texto diz ainda que a mineradora "recuperou cerca de 800 hectares de vegetação até a Usina Risoleta Neves (Candonga) em Minas Gerais. O trabalho foi realizado em mais de cem quilômetros de extensão visando a reduzir as erosões às margens dos rios. Esta recuperação representa 100% do volume acertado pela empresa com os órgãos ambientais conforme cláusula 158 do Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado em março deste ano". 

Conforme a empresa "o trabalho de revegetação já está sendo reforçado e novas ações estão sendo implementadas até o Rio Gualaxo. Todas as ações são de conhecimento dos órgãos ambientais e também estão previstas no TTAC". A mineradora afirma estar trabalhando "24 horas na região de Candonga com turnos sucessivos, realizando serviços de dragagem e obras de contenção de rejeitos".

 

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