Ibama suspeita de atividades de parque no Rio

O Bwana Park pode ter servido de fachada para acobertar a prática de atividades ilegais de seus proprietários. A suspeita foi lançada hoje pelo presidente do Ibama, Hamilton Casara, após visita ao local. Em uma sala trancada, foram encontradas pedras semipreciosas e o que ele considera uma central de empalhamento de animais. "A primeira impressão nos permite levantar no mínimo suspeita de contrabando", afirmou Casara. Após a visita, ele fechou oficialmente o parque e confiscou os cerca de 200 animais que ainda vivem por lá.No Bwana foram encontrados, semana passada, 103 animais mortos em um freezer. Dos atuais animais do parque, um filhote de macaco e uma arara, muito debilitados, seriam, segundo Casara, encaminhados a uma clínica veterinária particular para "cuidados imediatos". Os outros seriam tratados por uma equipe de 15 pessoas do próprio Ibama. "Abri os cheques", afirmou Casara. "Quero que a equipe gaste o que for necessário para tratar dos animais". Além disto, o presidente do Ibama aguarda para esta semana os primeiros resultados da sindicância interna aberta para apurar possíveis responsabilidades do próprio órgão com relação à fiscalização do parque.Em 12 de outubro, Dia da Criança, o parque seria reaberto sob nova administração. O novo dono, porém, é um mistério. Seu representante, Daniel Marny, informou apenas que se trata de um brasileiro e cujo objetivo era refazer o zoológico. "Vamos esperar a poeira baixar para nos apresentarmos", afirmou Marny, que acompanhou Casara na inspeção.Segundo ele, após quatro meses de negociação, o acordo foi fechado exatamente na véspera da descoberta dos animais mortos. "Sabíamos que os animais estavam fracos", afirmou. "Mas a mortandade nos surpreendeu". Ele não revelou o valor do negócio. Marny contou que, junto com o seu patrão, outro grupo liderado por Eduardo Henrique Leal também negociou a compra do Bwana. Eles pretendiam criar um clube erótico. "Enquanto o pessoal esteve aqui, a situação dos animais piorou muito".Na Internet, o detetive Paulo Coronel, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, encontrou um site do Hedonism Club. A inauguração estava prevista para setembro. Uma das atrações seria um bar que funcionaria entre os animais do zoológico. O titular da delegacia, delegado Arthur Cabral, informou que pedirá amanhã a prisão temporária da herdeira do parque, Eliete Vieira da Silva, caso ela não se apresente até lá. "Este lugar é uma caixa de surpresas", afirmou o delegado.Animais empalhadosHá 14 anos, Antonio Carlos trabalhava para o ex-dono do Bwana, o suíco Werner Erwin Meier, morto em abril. Ele contou que, ainda garoto, capinava o sítio do "gringo", que só virou parque em 1993. "Ele vendia as pedras para fora", informou. "Os bichos empalhados participavam de exposições". O macaco empalhado que o presidente do Ibama encontrou, segundo Antonio Carlos, morreu de enfarte no ano passado. "Quando os bichos morriam, o gringo mandava empalhar fora", contou.Segundo o funcionário, tudo ia bem até que Meier e sua mulher, Eliete, brigaram. O casal tem uma filha de quatro anos. Meier deixou o parque sob responsabilidade da mulher. "Ela não deu conta e o parque fechou". De dezembro a março, o Bwana foi interditado pelo Ibama justamente porque os animais não estava sendo tratados adequadamente."O gringo arrumou tudo outra vez, reabriu o parque, mas logo morreu", conta Antonio Carlos. Segundo ele, o ex-patrão teve um enfarto. Ele foi encontrado morto dentro do seu carro, em uma estrada proxima ao parque, ainda usando cinto desegurança. Sobre seu novo patrão, Antonio Carlos disse que ele o proibiu de falar a respeito.

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