Ibase detalha visões sobre a vida em favela

Estudo ouviu moradores do ?asfalto? e do Complexo de Manguinhos

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

01 Julho 2009 | 00h00

Moradores do "asfalto" e de favelas do Complexo de Manguinhos têm a mesma opinião sobre o preconceito contra aqueles que moram em favelas, considerado alto, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). A resposta "sim, existe muito preconceito contra moradores de favelas" foi escolhida por 78% dos 400 moradores de Manguinhos entrevistados, e confirmada por 74% dos 413 do "asfalto" (de todas as zonas da cidade). Apesar disso, a pesquisa mostra que é grande o porcentual, em ambos os grupos, de moradores que declararam ter amigos do outro grupo (86% dos entrevistados em Manguinhos e 80% entre os do asfalto). Para a socióloga Fernanda Carvalho, coordenadora do Ibase, o "mito" da cidade partida é resultado do forte preconceito apontado pelo estudo. "A pesquisa mostra que existe profunda interação entre favela e asfalto, tanto nas relações de amizade quanto na vida cotidiana", disse ela, ressalvando que na maioria das vezes a interação ocorre de forma "subordinada". Tanto em Manguinhos como no "asfalto", os que revelam relação de amizade com pessoas do outro grupo são os que mais percebem o preconceito. Nas respostas, o preconceito contra moradores de favelas é maior do que o preconceito contra negros (que existe para 76% dos entrevistados em Manguinhos, ante 65% do outro grupo). SEGURANÇA A pesquisa mostra que a segurança pública é o serviço público mais mal avaliado: recebeu nota 2,9 tanto em Manguinhos como no "asfalto". Quase metade dos moradores dos dois grupos declarou já ter cancelado ao menos uma atividade por causa da insegurança em seu bairro. Mas a violência policial atinge mais aqueles que moram em favelas - 22% afirmaram que já foram vítima ou tiveram algum parente/amigo como vítima, ante 13% no asfalto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.