IBGE: SP concentra 19% do total de ‘aglomerados subnormais’ do País

Dois terços - 66% - dessas construções à margem da cidade legal ficam na capital

Laura Maia e Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo - Atualizado às 12h16 do dia 07/11

06 de novembro de 2013 | 10h05

RIO - Com 39 municípios, a Região Metropolitana de São Paulo concentra o maior número de domicílios em favelas do País. Ao todo são 596.479 casas - 18,9% do total nacional -, onde vivem 2.162.368 de habitantes, uma população equivalente à da cidade de Paris.

Dois terços das construções ficam na capital e, diferentemente do Rio, a ocupação irregular se deu, em grande parte, em espaços mais distantes do centro. A Pesquisa Aglomerados Subnormais - Informações Territoriais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 37% dos moradores de favelas paulistanas demoram mais de uma hora para chegar ao trabalho em contraste com 30% dos moradores das demais áreas da cidade.

"São Paulo teve ocupação pelos aglomerados mais na periferia do que salpicada em seu tecido urbano", explica Maurício Gonçalves da Silva, do IBGE.

Nessa realidade, às margens da Represa Billings, no Jardim Gaivota mora, há 22 anos, o pescador Edmilson Batista, de 48. Ele divide um cômodo com a mulher e dois dos cinco filhos. Outros dois filhos moram ao lado, onde o peixe é armazenado. Colada ao freezer, a porta do quarto dos meninos esconde um cômodo sem janela, mas com um computador ligado às redes sociais. Ali, é o bairro Cantinho do Céu, na zona sul.

Os dois barcos a remo é de onde a família tira o sustento. Batista já teve muito prejuízo. "A poluição da represa está acabando com os peixes", diz o pescador, que, por causa de quedas de energia, já perdeu mercadoria. "Falta tudo: asfalto, luz, saneamento. Se a gente pudesse não morava aqui."

Segundo a família, em toda eleição os políticos vão à região, mas ficam só na promessa de melhorias. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), há um projeto de urbanização em curso na região, que prevê a remoção de famílias de áreas de risco.

Em Osasco, na Favela do Limite, a diarista Odete Souza, de 52 anos, vive sozinha em um barraco de madeira há 10 anos. "Se eu tivesse condição, faria uma casa de blocos, mas até que sou feliz aqui", diz Odete, que coloca pedras como rodapés da casa para impedir a entrada de ratos. Ela diz que, apesar das dificuldades do bairro, não tem vontade de deixá-lo.

Regiões. Os pesquisadores do IBGE dividiram a Região Metropolitana em quatro grandes áreas, partindo-se do centro e avançando na direção dos municípios periféricos. O estudo revela que há também, na área central da capital, "pequenas áreas dispersas" de ocupação informal. Um dos exemplos é a Favela do Moinho, no Bom Retiro.

De baixo de um viaduto e ao lado da linha do trem metropolitano, o aglomerado ocupa 30.107 metros quadrados, com cerca de 375 barracos. O chão é de terra batida e as casas, em sua maioria, de madeira.

O desempregado José Roberto Adão, de 35 anos, vive com filho 3 anos em uma área de 8 m², sem banheiro no barraco, cuja porta é um lençol velho. "Luz e água a gente consegue ter, mas, para comprar comida para o meu filho, tive de alugar o espaço que eu tinha aqui ao lado. Queria muito sair daqui", diz.

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