Ibirapuera, lugar de treino e relax

Rotina da atleta Fabiana Murer, medalhista no Pan em salto com vara, é toda em torno do parque na zona sul

Lilian Primi, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

Ao mesmo tempo, o Parque do Ibirapuera é uma espécie de quintal, local de trabalho e de relaxamento para Fabiana Murer - medalhista brasileira de salto com vara nos últimos Jogos Pan-Americanos. É em meio à clássica paisagem da capital paulista que ela treina diariamente e também mantém contato com a natureza. "Fico olhando todas aquelas plantas, o sol e nem parece que estou em São Paulo", diz.O apartamento onde mora - um loft dúplex - fica a dez minutos a pé do parque. Todos os dias, ela vai para lá caminhando. "Não gosto de pegar trânsito e a caminhada é uma forma de relaxar depois dos treinos." E em volta do Ibirapuera construiu o seu cotidiano: faz aulas de inglês e tem toda a estrutura de serviços de que precisa a poucos minutos de sua casa - uma super vantagem para quem vem do interior do Estado, como ela. "São Paulo tem isso de bom. É tão grande, que a gente consegue ter tudo o que precisa sem sair do bairro", diz.No quesito ?local de trabalho?, o parque não decepciona. "Gosto muito de treinar lá. É lindo e a pista não fica nada a dever para as que encontrei na Europa", diz. Como o treino é obrigatório, mesmo quando chove, ela comparece, só não faz os saltos. "Não me importo. Na Itália, onde faço um intercâmbio, a pista é coberta, mas é porque lá é frio", explica. Acostumada com a natureza desde criança, Fabiana considera ter encontrado um canto onde pode chamar de lar em São Paulo. Mas não contava com isso quando chegou. "Quando tive que mudar para São Paulo, há nove anos, fiquei assustada. Tinha a sensação de que jamais aprenderia a andar por aqui", conta. Ela cresceu em Campinas, no bairro que ocupa o entorno do Parque Taquaral, onde há uma grande lagoa, como no Ibirapuera. Apenas as casas - espaçosas e instaladas em ruas largas e bem arborizadas - são diferentes dos prédios que circulam o parque paulistano. Hoje, com 28 anos, ela ama São Paulo e diz que pretende viver o resto de sua vida aqui. "É lógico que acabei aprendendo a ir de um lado para outro e também a gostar de viver nesse agito todo." As características típicas da metrópole a seduziram. "Até de madrugada tem um certo trânsito. Isso me conforta", confessa. DE ÔNIBUSA primeira casa da atleta na cidade grande foi um quarto na casa da mãe do treinador, na Vila Mariana, zona sul. No começo, vinha apenas nos fins de semana, para treinar. "Ficávamos eu e uma outra atleta. A casa era pequena e charmosa, em uma travessa da Avenida Lins de Vasconcelos, mas não tinha quintal." A decisão de morar em São Paulo foi motivada pelas boas condições da pista de atletismo do Ibirapuera. No início da carreira, Fabiana não tinha o apoio com que conta hoje. "Tinha que contar as moedinhas", lembra. Ela ia da Vila Mariana até o Ibirapuera de ônibus, muitas vezes lotado. "Ficava um tempão no ponto esperando que viesse um mais vazio", lembra.Mudou-se depois para uma república de atletas no Paraíso, zona sul, mais perto do Ibirapuera. Mesmo assim, Fabiana não se livrou do ônibus lotado. "Nessa época entrei na faculdade, em Santo André. Tinha um ônibus especial, mas só passava de hora em hora. Se atrasasse um minuto tinha que ficar uma hora esperando", lembra. Seu cotidiano só ficou mais confortável quando conseguiu juntar dinheiro para comprar um carro. "Fiquei mais livre com relação a horários e até ganhei um tempo para descansar entre os treinos e as aulas na faculdade", diz. Mas isso não quer dizer que ela use condução própria para tudo. Dependendo do destino, Fabiana procura usar o metrô. "Acho muito mais rápido do que tirar o carro da garagem e enfrentar os congestionamentos. Só saio de carro quando não tem outra opção", diz.Para a atleta, o custo de vida em São Paulo é alto. "Se não tivesse a estrutura que tenho, a vida ia ficar difícil aqui." Na opinião dela, quando a renda é pouca, a qualidade de vida é melhor em pequenas cidades.QUINTALHá um ano, decidida a fazer de São Paulo a "sua" cidade, comprou o loft, um estilo de moradia bem distante do que está em sua memória afetiva. "Ainda sonho em morar numa casa. Realmente, viver em apartamentos me incomoda um pouco, mas como viajo muito e moro sozinha, acho que eles são mais seguros", justifica. Para contornar os desconfortos da vida num prédio, optou por uma unidade de fundos, no primeiro andar, com varanda e janelas que se abrem para o deck da piscina. "Parece que é o ?meu quintal?, embora seja do condomínio todo", compara. Além da piscina, essencial em seu programa de treinamento, o condomínio dispõe de uma academia bem equipada, home theater e salão de festas - facilidades que ampliam a qualidade de vida para a jovem atleta. "Estou sempre na piscina e até já dei uma festa aqui." O apartamento dúplex também reproduz em parte o ambiente de uma casa. A planta deixa o pé direito duplo aberto na sala de estar, o que dá a sensação de maior liberdade.Até mesmo a conhecida "frieza" dos paulistanos Fabiana vê como vantagem. "Gosto de ficar quieta, na minha. Mesmo nessa fase pós-Pan, quando me tornei uma figura conhecida, ninguém me incomoda. Em cidades pequenas todos sabem de tudo o que acontece com você", diz. Mas quando ela pensa bem, chega à conclusão de que os paulistanos até não são tão frios assim: "Tem a padaria que freqüento, onde me sinto ?em casa? e sou conhecida, a manicure, meus amigos. Acho até mais saudável, pois preserva a minha privacidade", diz.

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