Ed Ferreira/AE
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Ibope aponta vitória do PSDB no governo do PA

Favorito para comandar o Estado, Simão Jatene tem 60% das intenções de voto contra 40% da petista Ana Júlia Carepa, que tenta a reeleição

Carlos Mendes ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 00h00

Na primeira pesquisa do Ibope no segundo turno para o governo do Pará, o candidato do PSDB, Simão Jatene, continua como favorito. A sondagem, encomendada pela TV Liberal, afiliada da TV Globo, mostra o tucano com 60% das intenções de votos válidos (sem computar os nulos, brancos e indecisos), contra 40% de Ana Júlia Carepa (PT), que busca a reeleição.

Na pesquisa estimulada, na qual entram os votos brancos e nulos, Jatene aparece com 54%, enquanto Ana Júlia tem 36%. Votos em branco e nulos somam 5% dos eleitores, mesmo porcentual de eleitores que se declararam indecisos. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

O levantamento mostra que a candidata petista não obteve crescimento em comparação ao primeiro turno das eleições. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Ana Júlia conseguiu 36,05% dos votos válidos - Jatene, 48,92%.

A pesquisa, realizada semana passada, abrangeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Juntos, eles participaram de um comício em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, pedindo votos para Ana Júlia Carepa. Os números demonstram que a presença de Lula e Dilma, ao menos por enquanto, não surtiu o efeito desejado pelos petistas.

Rejeição. Ana Júlia Carepa apresenta um alto índice de rejeição (42%), e vem apresentando dificuldades para atrair aliados. O último que declarou seu apoio à candidata foi o ex-governador tucano Almir Gabriel, que pouco representa em termos de peso eleitoral.

No passado, Gabriel era aliado de Jatene ( seu ex-afilhado político), com quem rompeu por ter perdido a eleição de 2006 para Ana Júlia Carepa. Nesta eleição, o ex-governador apoiou e fez campanha para Domingos Juvenil (PMDB) no primeiro turno, Juvenil obteve apenas 10% dos votos no Estado - mesmo com o apoio do presidente do partido, Jader Barbalho.

A adesão de Almir Gabriel à campanha de Ana Júlia reacendeu fatos que os petistas talvez preferissem não lembrar. O ex-governador sempre foi responsabilizado pelo partido pelos problemas sociais e ambientais do Pará dos últimos 16 anos. O PT também o acusa de ser o autor intelectual do massacre de Eldorado dos Carajás. Foi no governo de Gabriel, em 1996, que 19 trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) acabaram mortos pela Polícia Militar durante a desobstrução da Rodovia PA-150.

Ao deixar o PSDB, em junho passado, o ex-governador disse que procurava uma terceira via política na eleição para enfrentar o "desgoverno" do PT. Mas Juvenil, em quem tinha apostado suas fichas, acabou perdendo a eleição. Aos 78 anos, muitos imaginavam que Gabriel teria desistido de futuras batalhas.

Ele provou que estavam enganados. E surpreendeu ao manifestar apoio ao PT. Foi recebido com festa por Ana Júlia Carepa e pela Democracia Socialista (DS), ala que, embora minoritária dentro do PT paraense, controla os principais cargos no governo. "Nós dois lutamos pelo Pará", disparou Gabriel ao saudar Ana Júlia, sob aplausos dos petistas presentes no auditório de um hotel de Belém, sexta-feira.

"O Pará está acima de qualquer diferença que possa existir", devolveu a petista, acrescentando que ela e o ex-tucano têm em comum a mesma luta "pelo desenvolvimento" do Estado. Meio sem graça e sob indisfarçável constrangimento, Gabriel disse ao microfone que sua expectativa era de que Ana Júlia "aprendesse com Lula a governar o Pará". A petista se manteve em silêncio.

Dados técnicos

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 35.857/2010. Foram entrevistados 812 eleitores, entre os dias 12 e 15, em

todas as regiões do Estado

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