Ibope vê refluxo de 'onda' só em áreas ricas

Dilma ganha em 82% das 255 zonas em que o instituto divide o País para fazer pesquisas

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O Ibope mostra que o refluxo da "onda vermelha" ocorreu apenas em áreas mais ricas do Sudeste e Sul do país: um corredor que começa em Porto Alegre, segue pelas serras gaúcha e catarinense, corta o Paraná de norte a sul, entra pelo interior paulista, passa pelos bairros ricos da capital, e chega ao vale do Paraíba.

No mapa nacional de intenção de voto do Ibope, a petista Dilma Rousseff ganha, agora, em 82% das 255 áreas. Na consolidação anterior, a candidata vencia em 86%. Aumentaram o número de empates técnicos (de 15 para 22) e as áreas onde o tucano José Serra é o mais votado: de 20 para 23.

O Ibope reúne nessas áreas municípios próximos ou, no caso das metrópoles, faz divisões internas, juntando bairros com perfil socioeconômico semelhante.

O mapa é uma consolidação de 27 pesquisas estaduais do instituto feitas ao longo de setembro, principalmente nos últimos 10 dias.

Em comparação ao mapa anterior, entraram nesta edição novas sondagens feitas em Estados de várias regiões do país, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Distrito Federal, entre outros.

Redutos. A porção pintada de vermelho do mapa representa as áreas onde a intenção de voto em Dilma é no mínimo 5 pontos porcentuais maior do que a de Serra. Nas áreas azuis, ocorre o oposto. As partes em amarelo indicam empate técnico entre os dois candidatos.

Tão importante quanto o número de áreas em que cada candidato vence é o tamanho da vantagem. Sob esse aspecto, a preferência pela petista manteve praticamente o mesmo nível de intensidade nos dois levantamentos.

Dilma tem mais de 50 pontos porcentuais de vantagem sobre Serra em 25% das áreas (todas elas localizadas no Nordeste ou no Amazonas). No mapa anterior, esse porcentual chegava a 27%. Entre as regiões dessa faixa estão áreas de Salvador (BA), Manaus (AM) e Sobral (CE), por exemplo.

As maiores vantagens proporcionais de Dilma estão no sertão e agreste pernambucanos, na regiões de Salgueiro e Garanhuns (terra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), e no interior do Ceará e do Piauí.

A petista tem entre um terço e metade a mais de eleitores do que o tucano em 18% das áreas do Ibope, contra 16% na vez anterior. Agora, ela tem vantagem de 5 a 35 pontos sobre Serra em 39% as áreas, contra 43% no mapa da semana passada.

Áreas mais ricas. Há empate técnico de Dilma e o tucano nos bairros centrais e de classe média de várias capitais do país. Isso acontece nas algumas das áreas mais abastadas de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e até de Natal (RN).

Os dois líderes da corrida presidencial também estão tecnicamente empatados em regiões afluentes do interior do país, como em Blumenau (em Santa Catarina), em Piracicaba (São Paulo) ou Telêmaco Borba (Paraná).

Serra se destaca nas áreas mais ricas de algumas capitais do Sul e Sudeste, como Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. O candidato tucano também bate a petista em regiões do interior do Paraná, como Irati e Ivaiporã, no interior de São Paulo (Sorocaba e Mogi-Mirim) e no interior gaúcho (Vacaria).

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