Ibrasi alegou demora para achar sede ''adequada''

Cobrado a explicar o atraso na entrega de serviços contratados, o Ibrasi informou aos auditores do Tribunal de Contas da União que demorou para encontrar um imóvel "adequado" para as instalações da entidade no Amapá. Nessa altura, a entidade investigada pela Operação Voucher, da Polícia Federal, já recebera R$ 3 milhões liberados pelo Ministério do Turismo só nesse contrato.

Marta Salomon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2011 | 00h00

Diante da cobrança, o Ibrasi apresentou consultas feitas a imobiliárias da cidade. Até ali, o instituto dispunha de apartamento em Macapá "para hospedar profissionais vindos de outros Estados", segundo informou ao TCU, para tentar comprovar sua existência sem sede, sem registro de faturamento fora do convênio com a União e sem empregados.

Emendas apresentadas pela deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) garantiram repasse de R$ 7 milhões em dois anos ao Ibrasi, que recebeu mais R$ 6,9 milhões de outro programa do Turismo. Só anteontem, o TCU mandou suspender o convênio de R$ 5 milhões, dos quais R$ 3 milhões já haviam sido pagos, e ordenou o bloqueio do dinheiro ainda não retirado da conta desse contrato na Caixa Econômica Federal.

Escuta telefônica feita pela PF flagrou o secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins, orientando a assessora a não cancelar dinheiro para obras de interesse do senador José Sarney (PMDB-AP). Para a PF e o Ministério Público, trata-se do convênio de R$ 5 milhões com o Ibrasi.

Em outra escuta, o secretário executivo Frederico Silva Costa orienta a criação da entidade de fachada. "O importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo."

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