IC vai periciar material apreendido em despachantes

O material apreendido em cinco escritórios de despachantes na zona sul, suspeitos de fornecer documentos falsos a brasileiros para conseguir entrada nos Estados Unidos, foram encaminhados ontem para perícia no Instituto de Criminalística (IC). O resultado da análise do conteúdo dos quatro computadores e de um laptop deve ser divulgado em cerca de 60 dias pela polícia. Um dos objetivos da perícia é relacionar esses escritórios a cinco pessoas indiciadas que atuavam como despachantes e cujos nomes aparecem em outras operações semelhantes deflagradas no Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Minas. "Essa conexão comprova que operações desse tipo se ramificaram em outros Estados", afirmou Paulo Pereira de Paula, titular do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 6ª Seccional de São Paulo, em Santo Amaro. Esses falsos despachantes, chamados no jargão policial de zangões, produziam documentos falsos como declaração de imposto de renda, holerites e escrituras de imóveis com valores bem acima aos que as pessoas de fato possuíam para facilitar a obtenção do visto americano. Eles cobravam entre R$ 4 mil e R$ 25 mil pelos documentos falsos. As investigações começaram em setembro do ano passado, quando o Consulado americano denunciou a falsificação de documentos necessários para os vistos. "Decidimos endurecer o modo de agir e, desde setembro, cerca de 40 pessoas foram indiciadas, de falsificadores a interessados em requerer o visto. Mais de cem pessoas já foram ouvidas", diz o delegado.Os cinco escritórios - dois deles localizados nos fundos de um estacionamento e outro em uma lan house - funcionaram normalmente ontem. Como eles têm alvará de funcionamento, não cabe à polícia fechar esses locais. Os advogados dos estabelecimentos disseram ao Estado que vão aguardar a conclusão do processo investigativo para entrar com um eventual recurso quando o processo for instaurado. O Consulado americano informou que não vai mudar a política de concessão de vistos. Em São Paulo, cerca de 1,5 mil pessoas são entrevistadas diariamente - pelo menos 10% têm o pedido negado. Além de São Paulo, os consulados de Brasília,do Recife e do Rio concedem vistos. A polícia apurou que, quanto menor o poder aquisitivo do interessado, maior era o valor cobrado pelos documentos falsos. "Geralmente, são pessoas simples, sem muita formação escolar, que querem ir para os EUA de qualquer jeito. Então, os falsificadores se aproveitavam", afirmou o delegado.

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