Ideia de muro causa polêmica entre especialistas

O plano de erguer um muro no Dona Marta causou indignação em ambientalistas e defensores de direitos humanos. Autoridades afirmam que a "barreira ecológica", orçada em R$ 1 milhão, tem por objetivo proteger a mata atlântica vizinha da ocupação ilegal e melhorar a segurança dos moradores. Críticos afirmam que é uma forma de "apartheid social". "Trata-se de algo muito parecido ao que Israel faz com os palestinos e com o que aconteceu na África do Sul", disse Mauricio Campos, da Rede de Comunidades Contra a Violência. O governador do Estado, Sérgio Cabral, que ordenou a construção, disse que a iniciativa pretende melhorar as condições de vida e proteger moradores das gangues que controlam muitas das cerca de 600 favelas do Rio. "Nas duas últimas décadas, viu-se a passividade das autoridades diante do crescimento descontrolado das favelas", disse, defendendo que o muro pode limitar "o crescimento desordenado".O Dona Marta foi cenário de um premiado documentário sobre cocaína rodado pelo cineasta britânico Angus Macqueen, além de um videoclipe de Michael Jackson dirigido por Spike Lee. Desde novembro, está ocupado pela polícia 24 horas por dia, como parte da iniciativa do governo estadual que prevê transformação da comunidade numa "favela modelo". O projeto pretende expulsar traficantes apostando muito fortemente no engajamento da comunidade. Mas ambientalistas argumentam que, se não forem oferecidas aos pobres opções de moradia de baixo custo, eles continuarão a ocupar os morros e a floresta tropical adjacente.

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