Idéia surgiu em NY, nos anos 60

Para especialista, zeladoria urbana não pode segregar

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

Andrea MatarazzoSecretário dasSubprefeituras''''A sociedade, seja lá qual classe social, precisa se organizar para cobrar melhorias e mudanças''''Nadia SomekhEx-diretora da Emurb''''Se a intenção dos moradores é melhorar a cidade, ótimo. Mas não pode apenas denunciar, jogar fora os pobres e criar uma ilhazinha de excelência''''O neighborhood watch, adotado em diversas cidades americanas e européias desde a década de 60, não pretende transformar os moradores em vigilantes, mas sim fazer com que eles participem mais ativamente do monitoramento e da manutenção do seu próprio bairro. A idéia surgiu no bairro do Queens, em Nova York, depois do estupro e do assassinato de Kitty Genovese, uma garota de 29 anos. Trinta e oito pessoas testemunharam o crime, mas nada fizeram para impedi-lo. Os moradores da região, então, organizaram por conta própria um grupo para vigiar o que acontecia no bairro e reportar qualquer atividade suspeita.''''Por aqui, a organização comunitária está chegando às áreas mais nobres só agora, muito depois da periferia se organizar para suprir as deficiência do poder público'''', diz o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. ''''Isso é ótimo. A sociedade, seja lá qual classe social, precisa se organizar para cobrar melhorias e mudanças.''''Na questão da segurança, um projeto de zeladoria urbana pode ajudar a inibir os assaltantes. Segundo Jorge Lordello, ex-delegado e consultor de segurança, a união entre os moradores, mesmo que seja apenas por um rádio Nextel, barateia os custos e ajuda a criar uma sensação de segurança maior. ''''A comunicação rápida e o monitoramento constante são as melhores maneiras para você prevenir os crimes, e não apenas remediá-los'''', diz. ''''O projeto só precisa ser bem dimensionado e administrado. Não dá para querer englobar o mundo com uma idéia dessas, ela só funciona se for pontual e direcionada.''''Para outros especialistas ouvidos pelo Estado, uma zeladoria urbana não pode se propor apenas a aumentar a segurança - sob o risco de isso criar uma segregação ainda maior pelas ruas de São Paulo. ''''Um projeto como esse é ótimo para reforçar valores de cidadania, e não para aumentar os muros e as proteções'''', diz a diretora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Nadia Somekh, ex-diretora da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). ''''Se a intenção dos moradores dos Jardins é melhorar a cidade, ótimo. Mas não pode apenas denunciar, jogar fora os pobres e criar uma ilhazinha de excelência.'''' R.B.

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