Identificada gaúcha suspeita do seqüestro de Olivetto

Ela tem 42 anos, é gaúcha e militou no grupo chileno Movimento Esquerda Revolucionária (MIR), ao qual pertencia o homem com quem teve seu filho. Naila Talua Tosta de Freitas é a brasileira acusada, por duas testemunhas, de ser uma das participantes do seqüestro do publicitário Washington Olivetto. Ela viveu quase 10 anos em Cuba, para onde foi acompanhando a mãe, Eni Tosta Freitas. Lá, recebeu treinamento de guerrilha.Mãe e filha deixaram o Brasil após o golpe de 1964, no grupo do então deputado Leonel Brizola, e tiveram como primeiro destino o Uruguai. De lá, foram para o Chile e, em seguida, para Cuba. Eni militou no Movimento Nacional Revolucionário (MNR) e, depois, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O MNR foi responsável pela guerrilha na Serra do Caparaó, no Espírito Santo, na década de 60. A VPR, que teve em seus quadros o capitão do Exército Carlos Lamarca, foi uma das principais organizações da esquerda a pegarem em armas contra o regime militar nos anos 60 e 70.Em Cuba, Eni trabalhou na Rádio Cuba e criou seus dois filhos - Naila e um menino, que se formou pára-quedista das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba. Após a anistia, a família voltou ao Brasil, exceto Naila, que se casou com um integrante do MIR, grupo envolvido no seqüestro do empresário Abílio Diniz.Foi nesse crime que a polícia encontrou as primeiras pistas contra Naila. Na época, em 1989, a polícia achou duas testemunhas que a reconheceram como participante do seqüestro. A primeira viu-a na compra da Caravan usada para levar o empresário e a segunda, na compra dos óculos cuja receita foi achada no cativeiro de Diniz.Desde aquela época, a polícia não tinha mais nenhuma pista do paradeiro de Naila. Até Olivetto ser seqüestrado em dezembro. Identificada enquanto o crime ainda estava em andamento, antes que o publicitário fosse libertado, Naila desapareceu em janeiro. Por enquanto, não há nenhuma ordem de prisão contra ela. Agora, como a mãe fez no passado, a polícia desconfia que ela tenha fugido para o Uruguai.

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