Identificada moto usada em morte de psicóloga

A polícia já sabe que o dono do veículo tem passagem por furto e roubo; motivo do crime ainda é mistério

Camila Haddad e Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A polícia já identificou a moto usada pelo assassino da psicóloga da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renata Novaes Pinto, de 44 anos, morta na manhã de anteontem. O dono do veículo também foi identificado. Segundo o delegado Jorge Carrasco, titular da Delegacia Seccional Oeste, o proprietário da Titan azul pode ser o possível executor. Ele tem passagem por furto e roubo. "Quando pegar esse motoqueiro praticamente esclareço o crime. Depois é realmente saber o motivo do assassinato."O delegado explicou que, mesmo com a placa dobrada, conseguiu decifrar os últimos números e um programa de computador ajudou a identificar o restante. Renata foi baleada por um homem de capacete e moletom vermelho. Após atirar, o rapaz subiu na garupa da Titan, que era dirigida por um comparsa. Eles fugiram sem levar nada.Uma das prováveis razões do crime está relacionada ao trabalho de Renata, que atendia pacientes na clínica psiquiátrica da Unifesp. De acordo com a polícia, a investigação mostra que o ex-marido de uma das pacientes de Renata pode ser o mandante do crime, por achar que a psicóloga estimulou a ex-mulher a pedir a separação.Ontem, essa paciente prestou depoimento no 14º Distrito Policial, em Pinheiros. Ela contou que já havia registrado um boletim de ocorrência no 27º DP, no Campo Belo, por estar sendo seguida por motoqueiros, provavelmente a mando do ex-marido, que suspeitava de traição. A polícia descobriu que o motoqueiro que seguia a paciente era um detetive, que tentava verificar se saía com outro homem.O corpo da psicóloga foi enterrado no Cemitério do Morumbi, na zona sul. Cerca de 200 pessoas, entre parentes e amigos, acompanharam a cerimônia. Os familiares descartam a possibilidade de que algum colega de trabalho tenha praticado o crime.A maior preocupação agora é com os filhos de Renata. "Não sabemos se eles podem voltar e fazer algum mal às crianças. Estamos muito preocupados", disse o cunhado, Fernando Gonzales, de 44 anos. Ele afirmou que, por enquanto, a família da psicóloga não voltará para o imóvel onde vive, na Vila Madalena. As crianças também não têm prazo para voltar a estudar. "A gente não encontra motivos para que isso tenha ocorrido", lamentou o cunhado. "Para nós é muito chocante o que aconteceu." Gonzales definiu Renata como uma mulher inteligente, organizada, politicamente correta e uma mãe dedicada. "A gente brincava com ela dizendo que era a galinha com os pintinhos porque tinha o poder de agregar as pessoas ao redor dela." O marido da vítima, Sérgio Lisboa, de 42 anos, não conseguia sequer falar. Ele chorou muito no enterro e foi amparado por amigos. As duas irmãs e o irmão de Renata também estavam presentes.Renata era mãe de quatro filhos. O mais novo tem 10 anos, as duas gêmeas têm 13 anos e a mais velha, 15. Os quatro estavam no cemitério. O caçula ficou o tempo todo ao lado do avô, pai de Renata. Uma das gêmeas viu a mãe ser enterrada de longe, sentada na grama e rodeada por amigos. Outra filha não conseguiu assistir ao funeral, e a mais velha precisou ser amparada por colegas da escola.

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