Identificada segunda vítima do acidente nas obras do Metrô

A advogada Valéria Alves Marmite, de 37 anos, é a segunda vítima identificada do acidente ocorrido nas obras da futura estação Pinheiro da linha 4 do Metrô de São Paulo. Ela estava no microônibus que caiu na cratera aberta pelo desabamento no túnel do Metrô. Apesar do corpo ainda não ter sido removido da van, que permanece soterrada, a identificação foi feita por meio das impressões digitais da vítima. Os funcionários do Instituto Médico-Legal colheram as impressões digitais e confrontaram com as da advogada. A informação foi confirmada no final da tarde desta terça-feira, 16, pelo delegado da 3º Seccional Oeste, Dejair Rodrigues, responsável pela investigação do acidente. Mãe de três filhos, Valéria trabalhava na região de Pinheiros e não dava notícias desde a tarde de sexta-feira, quando ocorreu o acidente.O corpo dela foi encontrado na tarde de segunda-feira, dentro do microônibus, mas por causa das condições de trabalho no local, com riscos de novos desabamentos, os bombeiros tiveram dificuldades para retirar o corpo. Outra vítima da tragédia foi a aposentada Abigail Rossi de Azevedo, de 75 anos. A equipe de resgate encontrou o corpo dela na madrugada de segunda-feira, 15, depois de quase 70 horas do deslizamento. Ela havia saído de casa para uma consulta médica, quando passava pela Rua Capri para pegar um trem na Estação Pinheiros da CPTM, na hora do desabamento.ResgateEquipes do Corpo de Bombeiros tentam chegar até a van que caiu na cratera após o desabamento para retirar e localizar possíveis vítimas. As buscas são realizadas em duas frentes, uma em direção ao túnel do Metrô sob a Marginal do Pinheiros e outra no túnel que vem da Avenida Faria Lima, local onde está a van.Também há indícios de que o corpo do motorista do caminhão que caiu dentro do buraco esteja no túnel da Marginal do Pinheiros. Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros,Antônio dos Santos, durante a madrugada os cães farejaram o local e apontaram que o corpo do motorista não estaria dentro do caminhão, mas sim mais à frente, apesar de ainda não ser possível precisar a quantos metros. No início da madrugada desta terça, à 0h40, o risco de desabamento levou as equipes a jatear concreto nas beiradas da cratera com o intuito de estabilizar o solo. As buscas foram suspensas pelo risco de novos desabamentos, gerando apreensão e nervosismo entre os parentes das vítimas, que estavam acompanhando as buscas no local. Mas após os bombeiros, a consultores do Consórcio e geólogos analisarem o solo e as condições do local, as buscas foram retomadas pela manhã. Investigações Os promotores do Ministério Público Estadual (MPE) José Carlos Blat (criminal), Carlos Alberto Amim (Urbanismo e Habitação), e Saad Mazloum (Cidadania), além do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, estiveram durante a manhã no local do acidente. Já o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, afirmou que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas foi contratado para apurar as causas do desmoronamento.O MPE abriu três frentes de investigação. O órgão pretende esclarecer quem foram os culpados pelo acidente, as causas, e se houve improbidade administrativa. Por enquanto, segundo Rodrigo Pinho, continua afastada a possibilidade do ministério solicitar a interdição das obras.Para Amim houve falha de engenharia, "segundo os técnicos, falha de engenharia houve. Agora, qual eu ainda não tenho condições de dizer, nem eles", disse o promotor. "Recebemos nos dias 11 e 12, um outro pacote de documentos do Metrô, no qual havia a comprovação de monitoramento e de todo trabalho de contenção de risco nessas casas". Segundo Amim, os promotores já investigavam há algum tempo os problemas na Linha 4. O promotor Blat afirmou em entrevista que para ele " a negligência é clara". Os engenheiros, geólogos e técnicos do MP permaneciam realizando vistorias no local do acidente no começo da tarde desta terça-feira.

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