Identificadas as três vítimas da queda de helicóptero

O acidente com um helicóptero durante inspeção na rede de energia da Eletropaulo provocou a morte de três pessoas e pânico na Lapa, zona oeste. O Bell 206 Jet Ranger, prefixo PT-HOQ, da empresa Plana Brasil Táxi Aéreo, saiu do Campo de Marte às 13h46 e, 14 minutos depois, estava em chamas na Rua do Curtume. As vítimas foram o piloto Atila Limp da Costa Mafra, de 29 anos, o coordenador de linha de transmissão José de Oliveira Souza, 35 anos, e o técnico de manutenção Marcelo da Silva, 30 anos. Os passageiros eram funcionários da Eletropaulo.O acidente foi testemunhado por dezenas de moradores e trabalhadores, que acompanharam as tentativas do piloto de fazer um pouso forçado. A dona de casa Aparecida Alves Leite de Siqueira, de 73 anos, contou que o helicóptero se aproximou da área de lazer do condomínio Central Park Lapa, onde ela mora.Aparecida imagina que o piloto evitou pousar ali porque havia crianças brincando no local. O aparelho voltou a ganhar altitude, fez uma curva e caiu. "Ele poupou outras vidas, foi um herói", disse Aparecida.Na Rua do Curtume, o helicóptero bateu no prédio do número 101, da empresa DGT Logística. Uma das portas do Ranger parou no telhado. A cauda enroscou na fiação, ficou pendurada e a cabine caiu na rua. Houve uma forte explosão. Os Bombeiros chegaram em cinco minutos, mas os corpos da vítimas já estavam carbonizados.O designer José Flávio Topolski, de 23 anos, que fez a foto que ilustra essa matéria, trabalha numa empresa vizinha. Disse que ouviu um helicóptero se aproximando e, a seguir, um estrondo e estouros em postes. A região ficou às escuras. "Havia uma grande fumaça preta e algumas pessoas começaram a passar mal e a chorar", contou.Segundo funcionários da DGT, câmeras de segurança devem ter filmado o acidente, mas não foi possível ver as imagens por causa da falta de energia. Peritos recolheram as fitas. A causa do acidente será investigada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).O responsável pela segurança de vôo da Plana Brasil, Ruy Queirós, afirmou que o helicóptero havia passado por manutenção recente e o piloto era treinado para trabalhos em baixa altitude. "Por enquanto, não temos idéia de qual foi o problema", disse.O presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros, Carlos Alberto Artoni, acha mais provável ter ocorrido falha mecânica. "Com certeza, o comandante procurava um lugar para pousar. Numa cidade como São Paulo, você precisa jogar o aparelho em um rio ou numa rua."São Paulo possui o segundo maior tráfego de helicópteros do mundo, ficando só atrás de Nova York.Colaborou Luciana Garbin.

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