Identificado argentino cúmplice de seqüestrador

Seqüestrador desde 1981, ele foi o braço direito de Juan Bautista Mangussi, o líder da mais importante quadrilha especializada nesse tipo de crime, capturada em 1982 pelo antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo.O argentino Alberto Galvalisi, de 49 anos, o Gringo, é o homem que pode ter ensinado Pedro Ciechanovicz, de 49, o Pedrão, a seqüestrar.Apontado pela polícia como o cérebro da quadrilha responsável por seqüestros como os dos empresários João Bertim, Roberto Benito Júnior e Girz Aronson, Galvalisi está foragido.Ao depor no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Pedrão disse que dividia o comando do grupo com o Gringo e com Altair Rocha da Silva, de 42, outro foragido.Desde 1990 a Divisão Anti-Seqüestro (DAS) investiga Galvalisi, que fugiu da cadeia em 1989. Mas sua fotografia nunca havia sido reconhecida pelas vítimas e testemunhas dos crimes até anteontem, quando uma foto recente em nome de Jairo dos Santos, nome que Galvalisi usava, foi exibida no Denarc ao empresário Girz Aronson e a outra vítima do bando. Era ele.Descobrir que Santos era Galvalisi foi o próximo passo. DAS e Denarc fizeram isso ao mesmo tempo. "As impressões digitais dele foram achadas em bilhetes utilizados pela quadrilha nos casos Aronson e Benito Junior (um dos herdeiros das Lojas Cem)", afirmou o delegado Ivaney Cayres de Souza, diretor do Denarc. Para o Denarc e para a DAS, Gringo participou de 15 seqüestros desde 1990 no Estado.Galvalisi foi preso pela primeira vez no Brasil em 1977. Um caso corriqueiro de agressão. Em 1982, ele e outras seis pessoas foram presas e sob a acusação de seqüestrar o empresário Carlos Alberto de Oliveira Gonçalvez, crime ocorrido em 1981, e o estudante Fernando Vitório Caetano. Filho de um empresário, Caetano foi vítima do bando em 1982.Na época, o grupo atuava em vários países da América do Sul. Eram criminosos comuns, embora tenham sido presos pelo Dops - o departamento não apurava só delitos políticos, mas também seqüestros e roubos a bancos. Um brasileiro da quadrilha era o responsável por negociar os resgates. No grupo havia ainda um uruguaio, um libanês e um português.Condenado a 20 anos de prisão pelos dois crimes, o argentino foi transferido em 24 de agosto de 1985 para a Penitenciária de Piraquara, no Paraná, onde conheceu Ciechanovicz. Em 1990, a polícia suspeitou que o argentino tivesse participado do seqüestro de Gilberto Bernardini, sobrinho do empresário José Cutrale.Em 2001, quando o empresário Benito Júnior foi seqüestrado, a polícia voltou a ir atrás de Galvalisi, que nunca negociou resgates por telefone. "As vítimas diziam ouvir no cativeiro um homem que falava uma mistura de português com espanhol. Elas não sabiam se era um estrangeiro ou um brasileiro tentando se passar por tal", disse o delegado Wagner Giudice, diretor da DAS.Na semana passada, com a prisão de Ciechanovicz em Curitiba, o seqüestrador revelou aos policiais do Denarc que Gringo havia sido preso em 1998 e em 1999, e resgatado as duas vezes da cadeia. O Denarc identificou 29 integrantes da quadrilha e prendeu 13.Para a DAS, é impossível uma ligação entre Galvalisi e os seqüestradores de Abílio Diniz. "São grupos diferentes. Galvalisi sempre foi um bandido comum. Já os envolvidos nos seqüestros de Diniz e do publicitário Washington Olivetto são terroristas com formação política e treinamento em Cuba", afirmou Giudice.

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