Identificado mais um seqüestrador de Olivetto

A Interpol e a polícia chilena identificaram o seqüestrador Alfredo Canales Moreno, um dos integrantes do seqüestro do publicitário Washington Olivetto, que, ao ser preso, se identificou como Ruben Oscar Sanches e usava passaporte argentino.A descoberta foi feita a partir de fotos, nomes e cópias das impressões digitais dos integrantes da Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) comparadas com as informações passadas pela Divisão Anti-Seqüestro (Deas), que foram levadas pelas autoridades chilenas ao Brasil. De acordo com fontes da inteligência da polícia chilena, Canales é amigo íntimo de Mauricio Hernández Norambuena, um dos líderes da FPMR.Na ficha criminal de Canales consta, segundo a polícia, um assalto a um caminhão de valores da empresa Lansa, em Los Angeles, no Chile, em junho de 1995. Em 1992 ele foi acusado de roubar uma agência do Banco de Crédito e Investimentos, em Valdivia, no Chile. Canales começou a militância na esquerda armada em outra organização: o Movimento Esquerda Revolucionária (MIR), a exemplo de Norambuena, que também migrou para a FPMR.Em São Paulo, a Deas recebeu da polícia de Santos três fotografias de seqüestradores de Olivetto que estão foragidos. Uma das fotos parece ser a do homem descrito como um calvo de 45 anos que usa bigode e tem olhos castanhos. Uma outra é de um homem que se parece com um dos líderes da FPMR, Ricardo Alfonso Palma Salamanca. Não há informações sobre a última das imagens, que é de um homem.As três fotos estavam no apartamento alugado pelos seqüestradores em Santos e foram apreendidas nesta quarta-feira. Salamanca e Norambuena fugiram juntos da prisão no Chile. As fotos serão exibidas aos policiais chilenos, que nesta quarta-feira foram a Taubaté, no Vale do Paraíba, acompanhados de homens da Deas, para conversar com Norambuena e Canales, o número dois do grupo. Ambos estão no Centro de Readaptação Penitenciária, anexo de segurança máxima da Casa de Custódia.Durante a ditadura do general Augusto Pinochet, o MIR e a FPMR fizeram oposição armada ao regime. Nunca tiveram unidade de ação dentro do Chile. No Brasil, o MIR foi responsável pelo seqüestro de Abílio Diniz. A Deas suspeita que os casos Diniz, Olivetto, dos publicitários Geraldo Alonso e Luiz Sales e dos banqueiros Antonio Beltran Martinez e Ezequiel Nasser estejam ligados.A relação entre o casos Olivetto, Diniz, Sales e Alonso seria a participação de uma brasileira com sotaque gaúcho, que usava o nome de Maria Ivone. Duas testemunhas do caso Olivetto reconheceram por fotografias essa brasileira como integrante da quadrilha que levou Olivetto. "Ela teve uma atuação periférica no caso", disse o delegado Wagner Giudice.A polícia suspeita que entre os demais presos haja outro chileno, dois argentinos e um colombiano. No computadores apreendidos, achou e-mails enviados de um homem a uma mulher. Os textos misturam espanhol com português e no conteúdo não há nenhuma referência ao seqüestro de Olivetto.

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