Identificados dez traficantes acusados por chacina no Rio

A polícia já identificou pelo menos 10 traficantes do Morro do Adeus, que participaram da chacina, que deixou 7 jovens mortos na quarta-feira no Rio de Janeiro. De acordo com o delegado Aldari Viana, que investiga o crime, eles estão refugiados fora da favela. "Alguns deles estão no subúrbio, escondidos, e estão sendo monitorados. Pretendo prendê-los nas próximas horas", afirmou o delegado.Nesta segunda-feira, 29, as famílias dos cinco adolescentes estiveram na 21.ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso) e reiteraram que os garotos não tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Viana disse que está certo da participação deles na invasão ao Morro do Adeus, no domingo, dia 21. Para o policial, é fantasiosa a versão de que os jovens foram seqüestrados a caminho de um jogo de futebol e mortos apenas por serem moradores da Vila do João, controlada por facção rival. "As famílias têm o direito de preservar a memória do ente que morreu. Cabe a nós apurar o que é verdade", afirmou.Segundo as informações recolhidas pelos investigadores da 21.ª DP, os jovens foram recrutados pelo traficante Cheiroso, ligado à facção Amigo dos Amigos. Na noite de domingo, tomaram o tráfico de drogas do Morro do Adeus, até então controlado por Marcelo Fanhoso. Na quarta-feira, o bando de Fanhoso retornou ao morro.TorturaOs sete jovens e Cheiroso passaram por cinco horas de tortura. Cheiroso, que é amputado de um dos braços, conseguiu escapar. Os cinco adolescentes e dois adultos (cujos corpos permanecem no Instituto Médico Legal) foram mortos e tiveram os corpos esquartejados por um integrande do bando de Fanhoso, o Maluco. "É a especialidade dele. Estamos tentando identificar outros casos de esquartejamento na região, que podem ter sido cometidos por ele", afirmou Aldari Viana.Para o delegado, a invasão fracassada ao Adeus pode ter custado ainda a vida do traficante Mocotó, que chefiava o tráfico na Vila do João, e teve o corpo carbonizado na madrugada de quinta-feira, pelos próprios comparsas. "Ele já estava em desacerto com o traficante Sassá (Edmilson Ferreira dos Santos, dono do tráfico na favela, que está preso). Foi o Mocotó que liberou os jovens para participarem do ataque no Adeus. Pode ter sido o ponto culminante para que a morte dele fosse decretada", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.