Identificados mais dois suspeitos da morte de Toninho

A polícia de Campinas conseguiu identificar hoje dois dos três homens apontados pelo suspeito Anderson Rogério Davi, apelidado de ?Boca?, como co-autores do assassinato do ex-prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos. Amanhã, a morte de Toninho, como era chamado o prefeito, completa um mês. Ele foi assassinado quando transitava com seu Palio pela Avenida Mackenzie, próxima à Rodovia Dom Pedro I, na noite de 10 de setembro passado.Trinta dias depois, a polícia ainda não tem confirmação dos autores e do que teria motivado o crime. Desde o início, o delegado seccional Osmar Porcelli trabalha com as três possibilidades: crime pessoal, político ou patrimonial. Na sexta-feira, a polícia civil prendeu Davi na Favela Buraco do Sapo, perto da avenida onde o prefeito foi morto. Ele confessou o assassinato e apontou, pelos apelidos, outros três envolvidos no crime.Segundo Davi, os quatro estavam sobre duas motocicletas e abordaram Toninho para roubar seu Palio. Eles tinham uma "encomenda" e iriam vender o carro por R$ 70, conforme o suspeito. Ele afirmou que não efetuou os disparos contra o prefeito porque estava desarmado, mas disse que os outros três envolvidos portavam armas.Segundo Porcelli, ele não identificou o autor dos três disparos contra o Palio, um dos quais atingiu e matou Toninho. Os policiais trabalham ainda na busca das armadas desses três suspeitos, para que sejam submetidas a balística.A confissão de Davi foi acompanhada por quatro promotores e pelo presidente da OAB de Campinas, Djalma Lacerda. Antes de assiná-la, no entanto, o suspeito voltou atrás e disse que tinha confessado sob coação. Mesmo assim, a Justiça decretou prisão temporária de 30 dias contra Davi, que permanece detido no Centro de Detenção Provisória de Hortolândia.Para Porcelli, a localização das armas e dos três suspeitos são fundamentais para as investigações. Ele disse que, apesar de a polícia estar investindo no depoimento de Davi, outros segmentos e pistas não foram abandonados. "A qualquer momento podemos fechar o círculo", disse.Davi é o 12º suspeito detido durante o inquérito, e o primeiro a ter prisão temporária decretada. A Justiça também decretou prisão temporária aos outros três acusados pelo assaltante. O inquérito soma 250 páginas, uma média de 8,5 páginas por dia, e foi prorrogado por mais trinta dias.Entre testemunhas e suspeitos, a polícia ouviu 30 pessoas.No domingo, os policias detiveram o 13º suspeito, que se aproximava da descrição feita por Davi de um dos co-autores. Mas ele foi liberado em seguida. Porcelli prefere não falar em números. "Alguns dos detidos nem poderiam ser chamados de suspeitos", alegou. Segundo ele, está previsto para amanhã o depoimento de uma testemunha "sobre a vida pessoal" de Toninho, que pode auxiliar nas investigações.Para o advogado criminalista Ralph Tórtima Stettinger, nomeado pela família e pela prefeitura para acompanhar o caso, "tem havido empenho e interesse" da polícia de Campinas na identificação de criminosos. Mas Stettinger apontou que o tempo "costuma conspirar contra a investigação". Mesmo assim, disse acreditar que o crime será solucionado."Não é anormal investigações chegarem a resultados tardiamente, mas quando não se resolve nos primeiros dias é normal que as coisas comecem a patinar", avaliou o advogado. Para o deputado federal e amigo de Toninho, Luciano Zica (PT), do mesmo partido do prefeito, a interpretação é outra."A demora revela a situação de calamidade da polícia, a falta de estrutura, de condições para os policiais, de capacidade operacional e de compromisso na apuração dos crimes", enumerou Zica. Ele acrescentou que isso provoca desconfiança e baixa-estima na população, principalmente quando a polícia não consegue solucionar a morte de seu prefeito.O deputado disse estar desconfiado da confissão de Davi, ainda que admita a possibilidade de crime banal, contrariando a tese de outros membros do partido, que apostam em atentado político. "Não dá para desconsiderar, embora eu pessoalmente não acredite em crime banal", concluiu.

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