<i>Economist</i> destaca eleições e defende privatizações

A revista britânica The Economist desta semana destaca o debate sobre as privatizações que dominou o segundo turno da campanha presidencial. Em editorial e reportagem, a revista defende as privatizações, criticou a postura do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e afirma ainda que o próximo presidente deve continuar as privatizações iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso. A revista também critica o fraco debate sobre o crescimento econômico na campanha, que qualificou de suja.A The Economist relata como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, fez com que Alckmin passasse boa parte da campanha insistindo que não iria privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, e atribui a vantagem do petista nas pesquisas de intenção de voto a essa estratégia. Para a revista, o próximo presidente brasileiro deverá buscar consenso e realizar as reformas necessárias.A revista avalia que o erro de Alckmin na campanha foi justamente não ter defendido as privatizações. "Ele (Alckmin) deveria ter defendido as privatizações ou ter mudado de assunto. No entanto, ele se posicionou na defensiva o tempo inteiro", critica a revista, que avaliou que a estratégia de Lula de afirmar que Alckmin iria vender estatais funcionou junto aos eleitores da candidata do PSOL, Heloísa Helena, que preferem votar em Lula a arriscar um governo tucano de privatizações.Outro erro de Alckmin, qualificado como um "tedioso tecnocrata", foi, segundo a revista, ter afirmado que, se Lula for reeleito, sua presidência terminaria antes mesmo de começar. A The Economist ressalta a discussão sobre um "terceiro turno", e enfatiza que, se Lula vencer neste domingo, ele deverá acalmar os ânimos da oposição rapidamente para garantir a governabilidade em seu segundo mandato.PrivatizaçõesSobre as privatizações, a publicação destaca que, apesar da baixa popularidade das privatizações na América Latina, os ganhos obtidos com as vendas de estatais durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foram claros, e que "o próximo governo faria bem de recomeçar as privatizações". A revista cita uma pesquisa do Cento de Desenvolvimento Global, de Washington, que avaliou que as vendas de estatais foram "injustamente criticadas" e que trouxeram ganhos absolutos para as camadas mais pobres da população.Na opinião da revista, a privatização da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil permitiria ao governo pagar uma boa parte da dívida pública, o que ajudaria na queda das taxas de juros, aliviaria a valorização do real ante o dólar e estimularia o crescimento econômico. A The Economist ressalta que se Lula vencer o pleito neste domingo, ele deveria liderar o debate sobre a reforma econômica que o País necessita.Idéias não discutidasPara a revista, a campanha presidencial não discutiu a principal questão, que é como aumentar a taxa de crescimento econômico. A publicação destaca o episódio do economista de Alckmin, Yoshiaki Nakano, que defendeu um corte nos gastos do governo e foi desautorizado pelo tucano, que, apesar de prometer um "choque de gestão", não especificou como iria conduzir os gastos públicos. Por outro lado, a reportagem relata como Lula reconheceu a necessidade de realizar uma reforma na previdência privada, apesar de ter acrescentado que os trabalhadores brasileiros não terão de pagar mais.Com relação aos escândalos de corrupção, que a revista indica como causa da realização do segundo turno, o editorial comenta que a maior parte da população brasileira, na avaliação da revista, não acredita que Lula esteja pessoalmente envolvido nos escândalos de corrupção que ajudaram levar a disputa presidencial para o segundo turno.

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