Igreja Batista no Brasil comemora pouco a Reforma de Lutero

Comemorações em congregações batistas brasileiras foram discretas

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 03h00
Atualizado 04 Novembro 2017 | 16h05

A Igreja Batista, que chegou ao Brasil com missionários americanos enviados dos Estados Unidos, em 1882, também  comemorou os 500 anos da Reforma de Lutero. O professor André Muceniecks, pesquisador da Faculdade Teológica Batista de São  Paulo e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), disse que  havia, no começo, uma aparente falta de interesse, provavelmente pelo fato de as igrejas batistas serem congregacionais, com grande autonomia entre as congregações e em relação às convenções nacionais e estaduais às quais estão filiadas. Depois o quadro mudou.

"Não havia, de início muitas comemorações em nível geral, mas nas últimas semanas foram organizadas muitas comemorações ou menções isoladas das reformas protestantes", disse Muceniecks. Um evento digno de menção é o Concerto da Reforma, organizado pela associação dos músicos batistas do Estado de São Paulo (AMBESP).

No Ato Cultural promovido por luteranos e católicos, na noite de 24 de outubro, o coral e a orquestra da Igreja Batista em Perdizes apresentaram um concerto com peças sacras ligadas à Reforma, entre elas o hino Castelo Forte, de Martinho Lutero, cantado em português.

O professor Muceniecks  foi sondado por alunos para falar sobre o tema em suas igrejas e participou de conferências e palestras sobre as reformas protestantes, não só a de Lutero, mas também as de outros reformadores. Segundo ele, existe um grande número de pastores jovens que estudam e ensinam uma teologia reformada calvinista, não luterana.

A Igreja Batista, que tem cerca de 700 templos e 1.350.000 fiéis na maior de suas convenções, a Convenção Batista Brasileira, aponta 31 de outubro como Dia da Reforma Protestante, mas não agendou comemoração oficial. Foram discretas também as referências de outras convenções, como a Convenção Batista Nacional e a Convenção Batista Regular, ao quinto centenário da Reforma de Lutero.

Ao se referir à data, o professor Muceniecks prefere falar em Reformas Protestantes, no plural. Pela história oficial da igreja, os batistas derivam de separatistas ingleses que fugiram da perseguição religiosa do rei James (Tiago) no século 17 e se refugiaram na Holanda.

Liderados por Thomas Helwys e John Smyth, foram acolhidos por anabatistas holandeses (sectários do anabatismo, que só admitem o batismo na idade adulta e rebatizam os convertidos batizados ainda crianças ou adolescentes).

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