Igreja da Alemanha participa da Campanha da Fraternidade sobre saneamento básico

Delegados de instituições que se dedicam aos direitos humanos se reuniram, esta semana, em SP para iniciar preparação da campanha

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 22h52

A Igreja Católica da Alemanha participará da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, em uma promoção conjunta das cinco igrejas-membros do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Além de representantes desse organismo - formado pela Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia e Igreja Presbiteriana Unida - delegados de instituições que se dedicam aos direitos humanos se reuniram, esta semana, em São Paulo para iniciar a preparação da campanha. O tema em discussão foi o saneamento básico, sob o lema "Casa Comum, nossa responsabilidade".

"Temos uma  história relevante na Campanha da Fraternidade, que a Alemanha lançou em 1958 (seis anos antes do Brasil), numa época em que o país ainda superava os prejuízos da Segunda Guerra e começou a se interessar pela luta contra a pobreza no mundo", disse o padre Thomas Schmidt, do programa Misereor (Tenho misericórdia), de combate à fome.  

"O Misereor, dos bispos alemães, quer se juntar a outras instituições para lutar contra as injustiças sociais", acrescentou o sacerdote. Segundo ele, o mundo não pode ser mais dividido em regiões ricas e pobres, pois países como os integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) desempenham agora um novo papel no desenvolvimento econômico e social.

A Alemanha, afirma padre Schimidt, é agora ator e não precisa tanto de receber ajuda. "Temos de aprender a colaborar no mesmo nível, por exemplo na questão do acesso à água como direito humano", advertiu. Além de promover a discussão sobre o saneamento básico, o programa Misereor  tentará atrair a Igreja Luterana Alemã para a reflexão da Campanha da Fraternidade sobre o saneamento básico. "Há pobres também na Alemanha, embora em outro nível, pois consideramos pobres aqueles que têm uma renda inferior a 60% do salário médio alemão", observou o padre, ao justificar a luta da Igreja em favor dos excluídos.

"Nós assumimos a Campanha da Fraternidade como testemunho público conjunto", disse a secretária do Conic, Romi Bencke, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que trabalha em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. A partir de um planejamento conjunto, as igrejas do Conic se organizam para executar as Campanha da Fraternidade em suas comunidades. Grupos de outras igrejas evangélicas, como  Batista e a Metodista, também costumam participar, mesmo não sendo membros do Conic. Em São Paulo, o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e à Educação Popular (Ceseep), coordenado pelo teólogo  e historiador padre José Oscar Beozzo, acolheu os participantes do Conic e ofereceu subsídios para a preparação da Campanha da Fraternidade de 2016. 

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