Igrejas respondem por 15% de pedidos de tombamento

Casarios e patrimônio ferroviário vêm na sequência, em ranking dos processos em trâmite no Condephaat

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Em setembro, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) tombou diversos imóveis da pequena cidade de Cunha, no leste paulista. Entre eles, duas igrejas: a matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição; e a do Rosário. Não se trata de fato isolado. Conforme levantamento realizado pelo Estado, o patrimônio religioso representa 15,2% dos pedidos de tombamento recebidos pelo órgão estadual entre agosto de 2008 e junho de 2009. No caso de Cunha, ambas as igrejas têm inegável valor histórico. São construções do século 18 - a matriz, de 1731, é um exemplo do barroco paulista. O interessante foi que o início dos estudos do Condephaat acabou mobilizando a população para a defesa de sua história. "Eles sugeriram que a gente montasse um órgão municipal de preservação", conta o professor aposentado e memorialista João Veloso, há tempos engajado na preservação da história cunhense. O Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Comphacc) nasceu em 2006. De lá para cá, já aprovou, na esfera local, o tombamento de 30 bens. "Agora pretendemos ampliar o olhar para a zona rural, pois há diversas construções importantes nas fazendas", afirma o coordenador municipal de Turismo, Otávio Kalckmann.O segundo item com maior demanda no período analisado são os casarios (14,4%). Em novembro, por exemplo, o Condephaat concluiu que seria melhor arquivar o pedido de tombamento de 119 imóveis do município de Socorro. "Cerca de 40 já estão catalogados e têm uma placa, em frente, contendo informações históricas", comenta a jornalista Maria Tereza do Carmo, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Arquitetônico, Cultural e Natural de Socorro (Condepacnas). "São construções do fim do século 19 e início do século 20." Estações ferroviárias e construções de seu entorno ocupam o terceiro posto no ranking das demandas, com 13,7% das solicitações. Em seguida aparecem, empatados com 10,1%, patrimônio natural e infraestrutura urbana.Dos 173 pedidos de tombamento que tramitaram no Condephaat no período analisado, 33% eram da capital paulista. Dentre as 71 cidades do interior - apenas 14 com órgãos de tombamento próprios -, a campeã de solicitações foi Campinas, com 4,6% processos.Criado em 1987, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) é apontado como bom exemplo de proteção ao patrimônio. "Eles têm uma estrutura mínima, com uma capacidade de trabalho enorme", afirma a presidente do Condephaat, Rovena Negreiros. O departamento campineiro tem 18 funcionários e conta com a atuação de 28 conselheiros. Há 150 bens tombados no municípios - 14 também respaldados na esfera estadual. No ano passado, o Condepacc digitalizou todos os seus processos. Hoje é possível consultar pela internet o histórico dos tombamentos já realizados e as legislações da área. INTERCÂMBIOEm uma tentativa de aumentar o intercâmbio, Rovena já iniciou conversas com o Condepacc. "A discussão é para que os tombamentos sejam semelhantes, a fim de que as regulamentações não conflitem", diz a historiadora Daisy Ribeiro, do Patrimônio Cultural de Campinas.TOMBAMENTOS173 processos entraram em tramitação nos dois últimos semestres no Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado - 33% da capital 4,6% de pedidos tem Campinas, que aparece em segundo lugar, seguida por Itu e Santo André, cidades empatadas com 2,8%

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