Ilha Solteira se adapta ao toque de recolher

Alunos do turno da noite não deverão ser abordados, mas cerco ao uso de lan houses vai continuar; lanchonete já contabiliza prejuízo

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

A cidade de Ilha Solteira, no interior de São Paulo, começa a se adaptar ao toque de recolher imposto aos menores de 18 anos. Desde segunda-feira, eles estão proibidos de permanecer desacompanhados dos responsáveis nas ruas após as 23 horas. Na segunda, quatro adolescentes em situação de risco foram recolhidos e liberados após depoimento dos pais.Ontem, o juiz Fernando Antônio de Lima solicitou às entidades que realizam bailes e festas para que promovam eventos exclusivos para menores de 18 anos sem a comercialização de bebidas alcoólicas. Além disso, Lima também determinou ao município a divulgação de um plano estabelecendo programas de lazer para os menores. "Temos de dar condições para que eles possam se divertir com segurança", disse o juiz.As autoridades também esclareceram detalhes sobre a vigência do toque de recolher, que não deve atrapalhar o direito de ir e vir. Como ficam os estudantes que frequentam as aulas noturnas e saem da escola às 23 horas? "É claro que não vamos abordar esses alunos", afirmou a presidente do Conselho Tutelar de Ilha, Célia Vieira Gabriel."Se o adolescente ou menor estiver em trânsito - vindo da escola, indo para casa ou em algum lugar seguro -, ninguém vai abordá-lo por isso", acrescentou. "O menor será parado se estiver em situação de risco. Tudo será feito com bom senso", afirmou o juiz Lima. A Associação dos Amigos de Ilha Solteira (Amais) vai propor ao Juizado de Menores e ao município a instalação de computadores com internet na biblioteca municipal, com objetivo de afastar os menores das lan houses. Além do toque de recolher, outra medida baixada por Lima é a proibição de que menores de 16 anos frequentem lan houses durante o dia. À noite, a entrada é permitida somente para maiores de idade. No caso do comerciante Saulo dos Santos Silva, o toque de recolher provocou queda de 20% nas vendas de lanches, churros e pastéis. "Aqui sempre se reuniam estudantes, na saída da aula. Com esse toque de recolher, deixei de vender de 30 a 35 lanches por dia", contou. Saulo, no entanto, é a favor da medida. "O que vou fazer é reduzir custos para compensar a perda", disse. "Poderiam liberar o horário nos fins de semana", disse o jovem Silas Amadeu, de 16 anos. Entre os que não se entendem sobre a medida estão Pablo da Silva Marques, de 14 anos, e Leonardo Leandro Moraes, de 13. "Isso vai ser bom porque vai acabar com os bandidos e traficantes", acredita Pablo. "É um exagero. Não temos diversão aqui", afirma Leonardo.

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