Ilhas de calor fazem temperatura variar até 12 graus dentro de SP

Fenômeno afeta distritos com muitos prédios e poucas árvores e tem contraponto nos ''''óasis'''' frios perto de represas

Alexssander Soares, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2009 | 00h00

No auge do veranico deste inverno, em julho, termômetros marcaram em São Paulo, na mesma hora, temperaturas com até 12 graus de diferença. A variação que muitos paulistanos notaram este ano é a mais alta desde que o clima nos distritos da cidade passou a ser monitorado por imagens de satélite. O sobe-e-desce da temperatura é resultado de um complexo fenômeno climático, o das ilhas de calor urbanas. Essas ilhas são provocadas por fatores como concentração de prédios e pouca arborização. Elevam a temperatura principalmente em bairros do centro e da zona leste. Têm seu contraponto nos oásis ''''frios'''' remanescentes da borda das Represas Billings e Guarapiranga, zona sul, e na Cantareira, zona norte. ''''O calor é como uma febre, um sintoma de que a cidade está doente'''', diz a geógrafa Magda Lombardo, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ela estuda oscilações de temperatura nos bairros da capital desde 1985 e as compara a resultados de outras metrópoles, como Nova York. As ilhas de calor também são as responsáveis pelas pancadas abruptas de chuva, cada vez mais intensas em regiões como a da Sé e dos Jardins. A poluição, que ajuda a elevar a temperatura, e a retenção de calor pelo asfalto também contribuem para o fenômeno. Tanto que, para Magda, São Paulo é hoje a cidade das pancadas intensas de chuva - e não da famosa, e cada vez mais rara, garoa. ''''O problema (das ilhas) atinge a todas as classes sociais'''', alerta a especialista. ''''O calor produzido pelo homem e a baixa umidade relativa do ar formam um deserto artificial.'''' Magda escreveu o estudo Ilha de Calor nas Metrópoles: O Exemplo de S.Paulo, ganhador do Prêmio Jabuti na categoria Ciências, em 1986. Ele indicava que, na época, a variação de temperatura na capital chegava a 10 graus. Desde então, além do aumento de 2 graus em pouco mais de 20 anos, a geógrafa apurou outro dado preocupante. A temperatura média na cidade subiu 1,2% no século passado, ante 0,7% em Nova York.

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