Imagem em vidro de hemocentro gera romaria

Uma mancha, que segundo algumas opiniões lembra Nossa Senhora de Fátima, apareceu estampada na fachada de vidro do Hemocentro de Ribeirão Preto. Ela foi avistada por funcionários da instituição no final da tarde de sexta-feira, e logo deu margem a uma peregrinação de fiéis no final de semana. A direção da instituição, que é pública (um braço do Hospital das Clínicas), anunciou que terá uma atitude de ?tolerância religiosa?, desde que o fenômeno não atrapalhe o serviço de coleta de sangue. "Não queremos tumultos e nem que as pessoas se sintam impelidas a doar sangue e, conseqüentemente, mintam nas respostas ao questionário minucioso que fazemos", diz o médico responsável pela doação de sangue do Hemocentro, Luiz Paulo Faggioni. A curiosidade instalou-se inicialmente nos próprios funcionários, que avistaram a imagem (que não é visível pelo lado de dentro) num vidro fixado a cinco metros de altura, na última fileira da fachada, do lado externo do Hemocentro. A imagem, ampliada, impressiona, e os fiéis católicos que visitaram o local para vê-la estavam convictos de que era uma manifestação religiosa. Faggioni acredita que a imagem é uma mancha no vidro e que as pessoas estão sendo sugestionadas após as notícias de fenômenos semelhantes, como a imagem surgida recentemente em Ferraz de Vasconcelos. O Hemocentro não proibirá visitas ou romarias, desde que o trabalho não seja prejudicado. No domingo houve coleta de sangue 50% acima do normal. Na ausência do arcebispo D. Arnaldo Ribeiro, o padre Francisco de Assis Corrêa, da Paróquia São Pedro Apóstolo, do bairro Ipiranga, foi o interlocutor da igreja católica para a questão. Ele ficou sabendo do fato na tarde de ontem, não viu pessoalmente a imagem, apenas fotos publicadas num jornal local, e fez o seu comentário. "Tratamos essa atitude com respeito, e a Igreja não se entusiasma com isso. Mantém uma postura de cautela", disse o padre. "Em vários locais têm ocorrido aparições em vidro e temos de aguardar os resultados de pesquisas científicas." Para o padre Francisco Corrêa, a imagem gera crendice, ?fome do sagrado e de milagre?. "Amanhã ou depois, isso some", comentou, recordando-se de outro fenômeno, surgido há muitos anos, em Brodowski, de que uma imagem de Nossa Senhora apareceria em cima de uma árvore, com dia e hora marcados. Lembrou ainda do fenômeno das imagens que choram. "São aparições sazonais que reforçam a fome do sagrado, presente na fé do povo no dia-a-dia", disse ele.

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