Imagens podem levar a estuprador de universitária

A fita com a imagem de um rapaz de boné, bermuda e mochila nas costas, dentro da Faculdade Oswaldo Cruz, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, poderá ser usada pela polícia para produzir o retrato falado do suspeito de estuprar uma aluna do curso de Farmácia, na manhã de sábado. A imagem foi entregue ontem à polícia. Em depoimento, a jovem de 18 anos diz ter sido estuprada às 8h20 num corredor com salas de aula vazias.A polícia diz acreditar que o estuprador havia visitado a Oswaldo Cruz anteriormente, pois mostrou habilidade no local: levou a jovem até um local aparentemente conhecido por ele. Sabia da liberação das catracas, o que não causou problemas na hora de entrar na instituição. A informação de que o suspeito seria ex-aluno não foi confirmada pela Polícia Civil.Em depoimento, a vítima afirmou que o homem parecia ter 26 anos e, com uma arma, chegou a ameaçá-la de morte. A violência sexual teria durado 20 minutos. Em seguida, o homem fugiu pela porta da frente. A estudante foi encontrada chorando perto da cantina. Por se sentir humilhada, ela disse a um inspetor que fora assaltada. A versão mudou quando PMs chegaram. Ontem, a jovem seria ouvida novamente no 77º DP (Santa Cecília), mas por estar em estado de choque não compareceu. O pai da estudante conversou com diretores da faculdade, localizada na Rua Brigadeiro Galvão. Ele estava muito nervoso e negou a interrupção do curso da filha, matriculada no 1º ano. "Foi uma conversa amena, só para mostrar que estamos dispostos a dar todo apoio à estudante", contou um funcionário da faculdade. Na manhã de ontem, cerca de 50 pais de alunos se reuniram com os responsáveis pela instituição para cobrar segurança. À tarde, o número de vigias aumentou. Normalmente são 25 homens, mas depois do almoço era possível ver mais profissionais fazendo a "escolta" de alunos até a rua.Segundo a Assessoria de Imprensa da Oswaldo Cruz, as câmeras de vigilância - atualmente 16 - serão ampliadas para 32. Além disso, as catracas vão ser liberadas apenas mediante passagem de crachá de matrícula.Pai de uma estudante do curso de Farmácia, Omar Hamze, de 63 anos, estava inconformado com o caso. "Eu vim protestar. Minha filha se assustou", desabafou. "Exigimos mais segurança. Isto é uma faculdade."Patrícia Esperança, de 44 anos, também tem um filho na faculdade. Ela comentou que, nos arredores da Oswaldo Cruz, a situação está "crítica". "Eu me mudei da Pompeia recentemente e senti uma grande diferença. Quando anoitece, não dá para sair." Alunas de Farmácia disseram que a vítima é "linda" e, desde que o curso começou, chamava a atenção. O delegado titular do 77º, Calixto Calil, foi procurado três vezes pela reportagem, mas se negou a dar entrevistas. Ele alegou que atrapalharia as investigações.

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