Imigrante legal ganha para deixar a Espanha

A Espanha vai começar a pagar para que os brasileiros e outros imigrantes deixem o país. A partir do dia 1 de julho, os brasileiros que estejam desempregados na Espanha poderão pedir incentivos financeiros para retornar ao Brasil. No total, a medida tem como objetivo gerar o retorno de 1 milhão de imigrantes seus países de origem, como forma de reduzir a tensão na busca por trabalho no país.O Estado apurou que o Palácio do Planalto abrirá ainda neste ano um centro para atender os trabalhadores brasileiros que vivem na Espanha. Segundo o jornal El País, um acordo com 19 países vai permitir que os espanhóis paguem o seguro desemprego, fundos de garantia e outros benefícios aos imigrantes que optem por deixar o país. Em troca, porém, o estrangeiro abdica de seu visto de residência e ainda não pode voltar à Espanha por pelo menos três anos.A medida será válida apenas para os imigrantes legais, o que reduz de forma considerável o número de estrangeiros que poderão se beneficiar dos incentivos financeiros. Mesmo assim, os cálculos das autoridades espanholas indicam que a medida poderá retirar do país quase metade dos estrangeiros legalizados.Pelas contas do governo, existem cerca de 170 mil imigrantes que vivem de forma legal no país, mas que estão desempregados. Na avaliação do governo, se cada um deles levar de volta sua família e a política for mantida por pelo menos dois anos, o resultado esperado seria o desaparecimento de quase metade dos 2,2 milhões de estrangeiros vivendo de forma legal na Espanha.No caso do Brasil, seriam 72 mil trabalhadores vivendo com visto na Espanha. 1,6 mil deles estão desempregados e poderiam retornar ao País com uma "bolada". O governo brasileiro já foi informado da iniciativa e o Itamaraty vem insistindo que os governos europeus precisam garantir o respeito aos direitos humanos desses imigrantes. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ainda revelou ao Estado que o Brasil abrirá um centro para dar apoio aos emigrantes em Madri. "Não vamos questionar se são ou não legais. Não somos a polícia. Vamos informar os brasileiros quais são seus direitos", afirmou.

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 00h00

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