IML confirma que garota foi agredida

Austríaca de 4 anos tinha lesões causadas em ocasiões diferentes

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O laudo do Instituto Médico-Legal de Duque de Caxias (Baixada Fluminense) confirmou que a menina austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, vinha sendo vítima de maus-tratos, pois apresentava hematomas recentes e antigos pelo corpo, um deles com 15 centímetros. A criança tinha ainda uma "cicatriz cirúrgica" no crânio que indica uma pancada antiga na cabeça, segundo a polícia. O laudo aponta "trauma cranioencefálico por ação contundente" como causa da morte da criança, ocorrida dia 19, mas não conclui se o ferimento foi provocado por queda ou golpe.O laudo confirmou o depoimento da enfermeira Deise Bastos à polícia. Ela ajudou no atendimento de Sophie na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz (zona oeste), onde a menina deu entrada em coma no dia 12. O documento aponta lesões no ombro direito, coxa, perna esquerda e glúteos. A cor diferente das equimoses indica que as agressões ocorreram em datas diferentes.Sophie morava com a tia, Geovana dos Santos, de 42 anos, que tinha a guarda provisória da vítima e do irmão, R., de 12 anos, desde dezembro de 2008, após a mãe deles, Maristela dos Santos, de 40, ter saído de casa. Em janeiro de 2008, ela trouxe os filhos ao Brasil sem a autorização do ex-marido, o austríaco Sasha Sanger.A menina deu entrada na UPA levada por uma vizinha e pela filha de Geovana, Lílian dos Santos, de 21 anos, que cuidava dela e do irmão. Lílian informou aos médicos que a menina havia escorregado e caído durante o banho, mas logo a equipe descobriu vários hematomas no corpo da criança. Sophie morreu sete dias depois no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias.O delegado titular da 36ª Delegacia de Polícia, Agnaldo Ribeiro da Silva, quer colher mais depoimentos, mas deve indiciar por crime de tortura Geovana e Lílian e pedir a prisão preventiva de ambas. "O laudo caracteriza no mínimo maus-tratos e quiçá tortura. Vamos ouvir os vizinhos para confirmar que as agressões eram constantes", afirmou o delegado. Ele anunciou que concluirá o inquérito na terça-feira.

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