IML identifica metade dos mortos

Apesar do estado precário dos corpos da maioria das vítimas do vôo 3054 da TAM, o Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo conseguiu chegar ontem à identificação de quase metade do total declarado de mortos sem recorrer ao exame de DNA. Ao todo, 95 vítimas haviam sido identificadas pelo IML até início da noite de ontem. Segundo lista feita pela TAM, houve 199 mortos. A maioria das vítimas foi reconhecida por tatuagens, pinos cirúrgicos, arcadas dentárias, objetos pessoais e roupas. Só ontem, oito foram identificadas: Elcita da Silva Ramos, Jaqueline Cardozo Dias, Rogério Norio Sato, Lisiane Sirlei da Pieve Schubert, Marta Maria Franco Laudares de Almeida, Gilmar Tenório Rocha, Cássia Negretto e Marcelo Peres Marthe. Entidades da área médica, como o Conselho Regional de Medicina, já elogiaram publicamente o trabalho dos legistas nos últimos dias. Criticados no início dos trabalhos pela frieza característica do ofício, eles passaram a ser elogiados pelas famílias das vítimas e pelo ministro Nelson Jobim. Às 20 horas de ontem, foi a vez de o governador José Serra (PSDB) visitar o IML, sem fazer alarde. Segundo sua assessoria, o governador queria conversar com os técnicos e levar seu estímulo à equipe. Os cerca de 60 profissionais - entre eles, médicos aposentados que se apresentaram para ajudar e legistas que estavam de férias - têm feito escalas de mais de 12 horas para conseguir catalogar os fragmentos de corpos e identificá-los. O trabalho é feito 24 horas. Cada corpo é analisado por dois legistas e um terceiro tem de checar as análises para confrontar divergências e evitar contestações sobre o óbito em processos indenizatórios. O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Henrique Carlos Gonçalves, esteve anteontem no IML e atestou que o trabalho é feito adequadamente. "É um cenário dantesco, como nunca vi em 30 anos de medicina, mesmo após acompanhar análises dos corpos do massacre do Carandiru e dos ataques do PCC." Nem a visita de Jobim nem a de Serra atrapalharam o ritmo dos trabalhos. Por enquanto, a identificação foi baseada no que os especialistas chamam de "antropologia". Até um celular encontrado com uma vítima ajudou no trabalho. O exame de DNA é o último passo do procedimento, segundo o protocolo internacional seguido pelo IML paulistano.

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