Arte: estadao.com.br
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IML identifica quatro dos 14 corpos do acidente em Trancoso

Trabalhos de análise de arcada dentária identificaram corpos de quatro crianças que estavam no bimotor

24 de maio de 2009 | 13h52

Quatro dos 14 corpos das vítimas do acidente com um bimotor em Trancoso, na Bahia, na última sexta-feira, 22, foram identificados neste domingo, 24, segundo informações do Governo da Bahia. Todos os corpos são das crianças que estavam na aeronave e foram identificados durante trabalhos de análise de arcada dentária.

 

Além dos familiares das vítimas, que tiveram material genético coletados, o Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia já recebeu todas as fichas odontológicas e ortopédicas. Essas fichas facilitarão a comparação e agilizarão as identificações dos corpos.

 

"Os trabalhos estão bastante adiantados, todo nosso pessoal de medicina e odontologia legal, antropologia e análise de DNA estão trabalhando de forma empenhada e com os recursos necessários para realização dos exames de identificação", destaca Raul Barreto, diretor do DPT.

 

Registro

 

A caixa-preta do bimotor foi levada para o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), no Recife, no fim da manhã deste domingo, 24, segundo informações do Centro de Comunicação da Aeronáutica (Ceconsaer).

 

As gravações feitas pelo equipamento, que foi encontrado praticamente intacto, sem vestígios de problemas, podem ajudar a determinar o que provocou a queda da aeronave, segundo o Ceconsaer. Já os motores da aeronave serão analisados em São José dos Campos, em São Paulo, como parte da investigação.

 

Acidente

 

A queda do bimotor Super King Air B-350 ocorreu por volta de 21 horas de sexta-feira, durante manobra de aterrissagem no Aeroporto Terravista, em Trancoso, litoral sul da Bahia. O Departamento de Polícia Técnica de Salvador confirmou no sábado, 23, que 14 pessoas morreram no acidente - dez adultos e quatro crianças.

 

Dez das vítimas pertenciam à família do empresário Roger Ian Wright, de 56 anos, além do piloto, do copiloto, de uma babá e da neta de 3 anos de sua mulher, Lucila Lins (mais informações nesta página). O empresário planejava festejar o aniversário de um dos netos.

 

O resgate foi concluído por volta das 15 horas de sábado. Durante todo o dia, cerca de 30 homens do Corpo de Bombeiros, além de policiais civis e 20 oficiais da Aeronáutica, estiveram no aeroporto do resort removendo destroços da aeronave e realizando o resgate dos corpos, que foram levados para o Instituto Médico-Legal de Salvador. "O trabalho oficial de identificação começa agora, apesar de as famílias terem fornecido uma lista de quem estava a bordo", afirmou o diretor, Raul Barreto. Os 35 peritos locais foram convocados e o IML de São Paulo se prontificou a ajudar nos trabalhos - coletando DNA das famílias das vítimas. Os corpos ficaram carbonizados e será necessária análise de arcada dentária.

 

Em depoimento a oficiais do 2º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa-2), testemunhas disseram que o avião pilotado por Jorge Lang Filho, de 56 anos, parecia estar "fora do lugar" quando se aproximou da pista - o avião parecia ter problemas mecânicos. "Parecia estar com problema no motor, com a velocidade mais baixa que o normal", disse o gerente do resort Terravista, James de Souza, que presenciou o acidente. "Entrou de asa, de lado, cambaleou no momento final e, no que encostou no chão, explodiu. Foi um barulho horrível, uma coisa medonha."

 

Para o fiscal de pista do aeroporto, Pedro Peixoto, de 37 anos - que passou o dia emocionado com a perda do "Comandante", como chamava Wright - o avião se aproximou "completamente torto". "Quando deveria ter seguido reto, parece que balançou para o lado direito, balançou de novo para o lado esquerdo e caiu", disse Peixoto. "Baixou muito rapidamente e depois foi baixando mais devagar até cair", contou o taxista Neílson Santos, de 39 anos, que aguardava a família Wright para levá-la à residência.

 

Investigação

Segundo o coronel João Carlos Dias Biesniek, chefe do Seripa-2, o conteúdo dos depoimentos será analisado em conjunto com os outros dados periciais coletados no local. "Um acidente aéreo normalmente ocorre por uma soma de fatores. Somente teremos certeza quando tivermos todos os resultados da perícia à mão para elaborar o relatório final, que pode levar até um ano para ficar pronto."

 

A Aeronáutica já descartou que a forte chuva que caiu em Troncoso na noite do acidente tenha provocado a queda - na avaliação, havia "perfeitas condições para pousos e boa visibilidade na pista". Às 20h51, quatro minutos antes da queda do avião, o piloto informou que "tinha alinhamento com a pista, que o trem de pouso já estava travado e havia boa visibilidade". Uma segunda hipótese, de que a iluminação da pista seria ineficiente, também foi descartada, após testes ontem com o jato HS do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

 

Outro fator analisado pela perícia foi o diâmetro da clareira criada na queda - de cerca de 20 metros, distante cerca de 200 metros da cabeceira da pista. Como se trata de diâmetro relativamente pequeno, segundo peritos ouvidos pelo Estado, uma das hipóteses é de que, no momento da queda, o avião teria mais força no plano vertical, de cima para baixo, do que no horizontal - ou seja, poderia estar preparando o pouso mesmo fora do local adequado. Isso pode indicar, segundo peritos, que o piloto estivesse "desorientado".

 

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave estava regular, tanto na manutenção quanto no seguro. A Inspeção Anual de Manutenção (IAM) do bimotor teria vencido no último dia 14, mas, segundo a agência, ela havia sido feita em uma oficina autorizada e a documentação teria sido encaminhada ao órgão, aguardando só atualização dos dados. A situação da tripulação também estava regularizada.

 

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