Imóvel pode ter motivado assassinato de médica no Rio

O apartamento onde morava a médica Suzana Maria Ribeiro de Sá Roris, de 51 anos, pode ter motivado o assassinato dela, na manhã deste domingo, 24. Essa é uma das hipótesesinvestigadas pela polícia. Suzana foi morta com pelo menos sete tiros quando caminhava pela Rua dos Oitis, na Gávea, por volta das 9 horas de domingo. O crime chocou o tranqüilo bairro da zona sul do Rio. Os disparos foram direcionados para a cabeça dela por homens que ocupavam um carro preto, segundo testemunhas. A polícia não descarta a hipótese de roubo seguido de morte, mas acredita em execução.Apesar de formada em medicina, Suzana abandonara aprofissão quando ainda se especializava em psiquiatria e recebeu diagnóstico de esquizofrenia. Segundo familiares, chegou a fazer estágio no Hospital Universitário Gaffré e Guinle, na Tijuca, zona norte, mas viveu a maior parte da vida dependendo de parentes. Com pais e irmãos já falecidos, ela recebia assistência das famílias de um tio e de uma prima, todos moradores da Gávea, mas vivia sozinha no apartamento que herdara na Praça Santos Dumont, perto do local do crime. Nos fins de semana, costumava ter a companhia de umsobrinho, Luiz Alexandre, de 17 anos, que mora na favela daRocinha e, dizem parentes, também parece ter problemasemocionais. Como não podia ficar sozinha, Suzana passava ultimamente a maior parte do tempo na casa do tio, Carlos Frederico Ribeiro.Dos parentes, recebia alimentação e cigarros. Ela também sesubmetia a tratamento diário no Instituto Philipe Pinel, emBotafogo. Suzana era conhecida pelos vizinhos, que sempre a viam caminhando introspectiva. Falava pouco, na maioria das vezes para pedir cigarros. Os familiares planejavam vender o imóvel dela para pagar as dívidas de condomínio e IPTU, estimadas em R$ 30 mil, e custas de advogados. Suzana se mudaria para um quarto alugado na Gávea. O apartamento está bastante deteriorado e valeria hoje cerca de R$ 300 mil."Queríamos comprar um imóvel menor com o que sobrasse ecriar uma renda fixa para ela. Pensávamos até em pedir umapensão com base na lei de assistência social", revelou uma prima dela, Maria Auxiliadora Ribeiro, no sepultamento. Apenas dez pessoas compareceram ao enterro, na manhã desta segunda, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. O parente mais próximo era Carlos Ribeiro, mas o tio não quis dar entrevistas. "Não posso imaginar nada. Como alguém teria algum motivo para matar uma pessoa que não tinha relacionamentos sociais?", disse Auxiliadora. Elaacredita que a prima pode ter sido confundida com outra pessoa. "Disseram que a chamaram de Vivi. Ela nunca teve esse apelido."A investigação do caso está sendo feita sob sigilo. Odelegado titular da Gávea (15º DP), Luiz Alberto, não foiencontrado nesta segunda. Um dos investigadores da equipe dele disse que nenhuma possibilidade foi descartada, nem a execução motivada pela herança, nem a hipótese de latrocínio, já que a bolsa de estilo indiano que ela sempre carregava não foi encontrada.

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