Impacto do dossiê divide especialistas quanto a eventual 2º turno

O impacto desencadeado pelo escândalo do suposto dossiê negociado por petistas para vincular os candidatos tucanos à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra, à máfia das sanguessugas, divide cientistas políticos na análise da probabilidade de realização de segundo turno nessas eleições presidenciais. "No atual cenário, onde até mesmo a economia começou a ser contaminada, não há mais garantias de que o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, irá vencer o pleito no dia 1º de outubro", afirma o cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo, Marco Antônio Carvalho Teixeira.Segundo Carvalho Teixeira, apesar das mais recentes pesquisas de intenção de voto apontar a vitória do presidente Lula no primeiro turno deste pleito, o impacto das denúncias, o envolvimento de pessoas próximas a Lula na negociação do suposto dossiê e a crise que está sendo deflagrada na economia - área que ainda não havia sido atingida pela crise política - são motivos que levam a uma aposta no segundo turno. "A crise política chegou a uma área que não estava vulnerável desde o escândalo do mensalão, que é a economia", ressaltou.Já o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis, a aposta ainda é na vitória de Lula no dia 1º de outubro. O professor acredita que a menos de dez dias das eleições, será muito difícil reverter a vantagem e a consolidação dos votos que o petista conquistou, pois o universo de votos necessários para a virada de Alckmin gira em torno dos 7 milhões de eleitores. "O Lula tem um eleitorado fiel e consistente há algum tempo e isso vem sendo refletido nas pesquisas de intenção de voto", emendou.Apesar da aposta, Fábio Wanderley não descarta que o desgaste provocado pelo escândalo do dossiê aumente os votos do candidato Geraldo Alckmin. "Mas não acredito que o aumento de votos que ele poderá ter, em conseqüência do desgaste de mais esse escândalo, possa levar as eleições presidenciais para o segundo turno," considerou. Ele acredita, ainda, que o prazo de menos de dez dias para a realização das eleições é muito curto para que o impacto dos escândalos atinja as camadas mais populares. "Mesmo a instabilidade econômica, como o aumento do risco Brasil, não deverá contaminar a chamada economia popular a tempo de reverter o quadro eleitoral a favor do candidato tucano. Por isso continuo apostando na vitória de Lula no primeiro turno."

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